terça-feira, abril 28, 2009

Crítica nova sobre teresa!

TERESA E O AQUÁRIO

Foto de Marcos Nagelstein

A AZUL faz questão de divulgar coisas que possam enriquecer o repertório artístico de seu público. Esse é justamente o caso de Teresa e o Aquário, espetáculo completamente multimídia que está em cartaz na Sala Álvaro Moreira, ali no Atelier Livre da Prefeitura em frente à Zero Hora, aos finais de semana até dia 10 de maio.

Rapidinho pra te mostrar o quanto é importante de ver este espetáculo:

Os atores Sissi Venturin e Lisandro Bellotto, em completo equilíbrio de atuações competentes e completamente entregues aos personagens, contracenam com muitas imagens de alta definição projetadas num telão (multimídia de Bruno Barreto), inclusive deles mesmos em tempo real, e múltiplos objetos de efeitos cenográficos. A música instrumental é feita na hora e ao vivo pelo músico Roger Canal, a iluminação é dinâmica e atenta pelas mãos de Liliane Vieira, e tudo isso orquestra-se sob a direção inspirada, original, bem fundamentada e audaciosa de João Ricardo, que muito antes de ser diretor é ator e criador de performance, de arte e teatro.

É de ficar de boca aberta pelo impacto de atuações e imagens; arrepiado na nuca pela imersão compulsória num universo sensorial. É uma união de armadilhas inescapáveis não somente ao olhar, mas também de uma experiência estética e sensível que toma o espectador de dentro pra fora.

Linguagem sensorial contemporânea, transdiciplinariedade plástica/dramática, atuações fortes como um soco no estômago ou o canto de uma sereia, é simplesmente imperdível e eu juro que não diria isso se não fosse, aliás, normalmente não falo de teatro aqui, mas o conceito artístico deste espetáculo é tão forte que se tornou imprescindível a indicação.

Então, não espere que eles saiam em merecida turnê internacional, não deixe pra alguma futura temporada, vá ver o quanto antes e faça esse favor aos seus próprios sentidos. E tem somente mais 3 finais de semana, aproveite.

Eu, Gaby Benedyct/AZUL, assino embaixo.

Mais informações, acesse: http://www.teresaeoaquario.blogspot.com/

Acesse aqui o site da Azul Galeria

quinta-feira, abril 23, 2009

HOMEM QUE NAO VIVE DA GLÓRIA DO PASSADO



A Cia. Espaço em BRANCO acaba de ganhar seu terceiro prêmio de montagem teatral, o Mirian Muniz, financiado pela FUNARTE. O espetáculo HOMEM QUE NÃO VIVE DA GLÓRIA DO PASSADO conta a história de um nerd trancafiado dentro do seu apartamento num presente paralelo apocalíptico onde todas mulheres do mundo foram misteriosamente exterminadas.

O personagem principal será acionado pelo encenador e performer João de Ricardo e a direção compartilhada entre ele e Bruno Gularte Barreto, que assina também o texto. Este será o quarto espetáculo da Cia., com estréia prevista para novembro. A peça é mais um passo na investigação do teatro como espaço para a fusão de linguagens artísticas, misturando a experiência multi-mídia, o corpo em ação e o universo das artes visuais.

terça-feira, abril 07, 2009

TERESA tem nova TEMPORADA!

Teresa e o Aquário entra em cartaz dia 10 de abril
na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Érico Veríssimo 307),
sempre sextas e sábados às 21h e domingos às 20h,
até 10 de maio!!

Os ingressos custam:
R$ 20,00 inteira
R$ 10,00 idosos, estudantes e classe artística
R$ 16,00 Clube do Assinante ZH

Lua Nova Temporal!


Clipe do querido Roger Canal que está agora disponível no youtube. Pra quem não sabe essa fera criou e executa ao vivo a trilha sonora do meu atual espetáculo TERESA e o AQUÁRIO.

terça-feira, março 31, 2009

sexta-feira, março 13, 2009

Saiu na Zero Hora Teresa e o Aquario no Espaço OX

veja no site da Zero Hora aqui!

11 de março de 2009 | N° 15904

TEATRO

A invenção do palco

“Teresa e o Aquário” ocupa espaço alternativo junto ao Bar Ocidente

Teresa e o Aquário estreou no ano passado no Theatro São Pedro propondo uma bem-sucedida mistura de dramaturgia fragmentada, música ao vivo e recursos multimídia. A partir de hoje e também nas outras quartas-feiras de março, a partir das 21h, Teresa e o Aquário vai levar sua fórmula sofisticada ao Espaço Ox (confira abaixo), que promete abrigar montagens experimentais de teatro e de dança.

Odiretor João de Ricardo admite que ainda não sabe como vai utilizar o ambiente do Ox – isso vai vai se decidido depois dos ensaios que a CIA espaço EM BRANCO fará no local. O gaúcho se desculpa por ser obrigado a usar um termo técnico na tentativa de explicar o que vai fazer:

– Cada lugar tem uma “psicogeografia” diferente, que agrega características afetivas e de espaço. Uma coisa é certa: devemos apostar mais nas cenas com vídeos e na música ao vivo, executada por Roger Canal, e baixar das duas horas originais de duração.

A dramaturgia que o grupo e Diones Camargo criaram para Teresa e o Aquário, adaptada do conto Teresa ainda Olhava para o Aquário, de Luciano Mattuella, será revista.

– Criamos várias células performáticas, várias nem foram usadas na apresentação do São Pedro. Vamos decidir quais funcionam melhor no Ox e rearranjá-las. Será um espetáculo novo – resume João de Ricardo.

Quanto à dificuldade de se apresentar em um espaço onde o público tem liberdade para beber, fumar e conversar, o diretor é objetivo:

– Não adianta encarar isso como dificuldade. Temos de dialogar com essas características. Isso faz parte do jogo teatral, e o nosso grupo faz questão de que o público compartilhe e participe desse jogo.

RENATO MENDONÇA

quarta-feira, março 04, 2009

TERESA E O AQUARIO 2009


2009 a peça volta a cartaz no Espaço Ox do Bar Ocidente, nas quartas-feiras de 11 a 25 de março às 21h, e em seguida na Sala Álvaro Moreyra, de 10 de abril a 10 de maio, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
www.teresaeoaquario.carbonmade.com
www.teresaeoaquario.blogspot.com

segunda-feira, março 02, 2009

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Crítica saída do forno!!!!!!

O querido amigo, professor, diretor, ator, articulador, teórico e poeta e professor e quantas coisas mais.... Luiz Paulo Vasconcellos escreveu na Revista APLAUSO deste mês uma crítica sobre o novo espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO, que vcs ja devem estar carecas de saber, foi dirigido por mim. Poxa, quanta generosidade nas suas palavras. Agradeço muito, querido, o escrito e compartilho aqui com os amigos da web.


_Teresa e o Aquário

Luiz Paulo Vasconcellos

Eu, que nasci no tempo do bonde e das máquinas Remington, confesso que nunca tive grandes dificuldades para acompanhar o surgimento de obras de alguns dos mais revolucionários ícones do modernismo - Dali, Bracque, Boulez, Ionesco, Beckett, Joyce, Kafka - mas confesso que tenho muita resistência para reconhecer legitimidade e coerência em obras situadas no contexto do pós-modernismo. Para mim, pós-moderno passou a ser apenas um recurso retórico, um discurso acadêmico, sem uma obra sequer, fosse em teatro, cinema, literatura, música ou artes plásticas, que configurasse, desse vida e representatividade a tal conceito. Até a estréia de Teresa e o Aquário, baseada num conto de Luciano Mattuela, com direção de João Ricardo, agora pós-modernamente auto-intitulado João de Ricardo. Mas deixemos de lado a inutilidade da partícula de ligação e voltemos à obra do jovem encenador.

João Ricardo - foi assim que o conheci e é assim que o tratarei até a morte - foi no início de sua carreira aquilo que os franceses chamam de enfant terrible, ou seja, um inconformado com as linguagens vigentes, um pesquisador, no melhor sentido da palavra, de narrativas que agregassem meios diferentes, corporais, visuais, sonoros, abordando temas geralmente transgressores ou, pelo menos, fora das convenções usuais. Foi assim que ele dirigiu Serpente: Pulp & Nelson Rodrigues, do próprio Nelson, Shopping and Fucking, de Mark Ravenhill, Extinção, a impossibilidade física da morte na mente de alguém vivo, livremente inspirado numa peça de Nicky Silver, e Andy/Eddie, de Diones Camargo, seu último espetáculo antes de se mandar para Campinas para fazer o Mestrado. Dois anos depois ele está de volta e nos trás esta Teresa e o Aquário - como posso definir? - a mais concreta, orgânica e representativa experiência pós-moderna que já tive a oportunidade e o prazer de assistir nesta minha já longa vida pós-bonde e pós-máquinas Remington.

Pós-modernismo, pelo menos para mim, sempre se aproximou mais de uma negação do que de uma afirmação com identidade própria. Ou seja, ser pós-moderno era não ser isto ou aquilo, o que o espetáculo de João Ricardo vem negar. Ou polemizar. Ou contestar. Não importa. O que importa é que o espetáculo existe, tem forma e conteúdo, se fundamenta num princípio de fusão de linguagens, embora mantendo o pés na terra do referencial dramático. Mesmo que pós-dramático. Deu pra entender?

Em Teresa e o Aquário não há narrativa contínua, ou seja, não há uma história sendo contada, começo-meio-fim, causa e conseqüência, essas coisas, mas na medida em que os recursos de linguagem avançam - ator, gesto, movimento, espaço, palavra, corpo, vídeo, foto, cinema, música, som, luz - os signos vão adquirindo sentido e, automaticamente, você, espectador, vai formando na sua cabeça uma história, a sua história, talvez até diferente da que está sendo formada na cabeça do cara que está a seu lado, mas que, no fim de contas, tece o desenvolvimento narrativo. E aqui, então, as coisas se fundem. Relato, estética, política, psicologia, comportamentos, emoções, valores, códigos, tabus, tudo vai se ligando na medida em que o jogo das linguagens vai avançando, acelerando, os silêncios vão se impondo, as formas vão se contrapondo. Afinal, não seria o pós-moderno aquilo que apresenta o inapresentável? No espetáculo de João Ricardo são as formas que nos sugerem os sentidos, criam o elo de ligação entre sujeito e vontade, vontade e emoção, emoção e razão, razão e certeza, certeza e possibilidade.

Como todos nós sabemos, teatro é uma arte coletiva. E o coletivo em Teresa e o Aquário é a soma de individualidades poderosas: Sissi Venturin e Lisandro Belotto, os atores, no melhor de suas carreiras; Diones Camargo na dramaturgia; multimídia de Bruno Gularte Barreto; iluminação de Liliane Vieira e música de Roger Canal.

Última cena: a platéia. A do Theatro São Pedro, na noite da estréia, não era necessariamente uma platéia de teatro, muito menos de um tipo de teatro, teatro-arte, teatro-pesquisa, teatro-porrada, teatro-transgressão. Havia o fato de ser o resultado de mais um Prêmio Habitasul de adaptações literárias, havia um desfile de modas antes da apresentação, essas coisas. Pois às dez da noite começou o espetáculo. E durante duas horas o silêncio que se impôs era desconcertantemente eloqüente. Era comovente. Ao final, aplausos, sinceros e insistentes. O recado estava dado. Cada um havia entendido alguma coisa. E todo mundo estava emocionado. Valeu, João de Ricardo.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

TERESA E O AQUARIO

Album de ftoos by Pedro KAran
Tiradas da estréia em Porto Alegre no Theatro Sao Pedro

Mobile PICS

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Comentário publicado na Zero Hora e no Blogue do Renato Mendonça, muito legal!

Lisandro Bellotto e Sissi Venturin em "Teresa e o Aquário",
foto de Marcos Nagelstein

Mergulho na memória

Foi um sábado de surpresas no Theatro São Pedro. A primeira delas, desagradável, foi o atraso de mais de uma hora na apresentação da montagem Teresa e o Aquário, algo inédito para os padrões de pontualidade da casa comandada por Eva Sopher. A razão foi um desfile de modas que precedia a peça.

A segunda surpresa, agradibilíssima, foi Teresa e o Aquário, vencedora do 8º Prêmio Habitasul de Montagem Cênica (para acessar o blog da peça, clique aqui). Ou melhor, foi Teresa, o Aquário e a disposição da Cia Espaço em Branco de explorar os limites da encenação. Os trabalhos anteriores do diretor João de Ricardo _ Extinção (2005) e Andy/Edie (2006) _ já sinalizavam elementos que ele explorou radicalmente ao longo das duas horas de Teresa...., principalmente, o uso de projeções em cena para multiplicar os pontos de vista da cena e permitir que o espectador tenha acesso a detalhes.

A partir do conto Teresa ainda Olhava para o Aquário, de Luciano Mattuella, João e seu grupo montaram uma história de Romeu e Julieta contemporânea, lisérgica e multimídia. O enredo básico: homem encontra mulher, os dois pensam que descobriram suas almas gêmeas, o par enfrenta o desgaste do dia-a-dia. O fardo de viver termina em "morte": Teresa mergulha no aquário e no sonho, seu companheiro fica paralisado por suas memórias. No final, quem diria, o amor triunfa. De alguma forma, os dois voltam para a água, para o útero, para o que é móvel e consegue mudar de forma.

Para representar isso, João esqueceu o que é o teatro tradicional. As conhecidas varas de luz sobre o palco tomaram a forma de spots no palco e de varas coloridas, portáteis e fluorescentes. Cenário: nem pensar, só imaginar. O som, criado em tempo real ao trompete, escaleta e maquininhas eletrônicas por Roger Canal, era feito às vistas do público. O próprio João estava em cena, manejando a câmera. Ao contrários do delírio verbal de Extinção e de Andie/Edie, as falas em Teresa e o Aquário são bem mais rarefeitas e agudamente confessionais, como se fossem pequenos blocos de memória boiando e se chocando no pequeno espaço de um... aquário.

Nas palavras do próprio João, Teresa e o Aquário é uma peça esburacada, que convida (ou desafia) o espectador a preencher as sugestões visuais e sonoras com sua própria bagagem. Ou seja: típico espetáculo que será amado por alguns e odiado por outros. Mas dá gosto e orgulho ver a coragem da Cia Teatro em Branco ao descartar fórmulas teatrais consagradas para contar sua história. Assumindo o risco, o grupo partiu da história para construir uma fórmula original, alheio a caminhos mais fáceis para o público e para o elenco. O espetáculo volta a cartaz em março, no Bar Ocidente, e em abril, na Sala Álvaro Moreyra.

Perfil

Organizado pelo editor de Teatro de Zero Hora, Renato Mendonça, este espaço reúne críticas, opiniões de artistas, vídeos e ensaios fotográficos relacionados às artes cênicas.

Para falar com o blogueiro:

renato.mendonca@zerohora.com.br

Para conhecer o blogueiro:

www.renatomendonca.com

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tipo=1&section=Blogs&p=1&coldir=2&blog=359&topo=3951.dwt&uf=1&local=1





O Edu, grande amigo escreveu no seu blogue

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

TERESA E O AQUÁRIO


Fico me perguntando quem sou pra discutir teatro? Acho que ninguém, mas mesmo assim certas coisas não podem ser deixadas passar em branco e tenho que então usar de minhas vivências para poder me expressar.

Em agosto comentei aqui sobre um workshop que participei. Essa experiências, junto de muitas outras resultou no espetáculo Teresa e o Aquário, que teve pré-estréia no último sábado, 20 de Dezembro, no Teatro São Pedro em Porto Alegre.

A peça marca mudanças significativas no trabalho da Cia. Espaço em Branco, que anteriormente abordou os valores da POP-ART em Andy/Edie. Dessa vez a Cia. experimenta uma dramaturgia própria através de um processo de concepção que durou meses e só foi finalizado lá, em cima do palco.

Lisando Belotto e Sissi Venturin que em Andy/Edie interpretaram o casal Bob Dylan e Edie Segwick dessa vez fazem um mergulho profundo na relação homem/mulher. O encenador João de Ricardo pela primeira vez realiza um espetáculo inteiro sobre o AMOR, mas foge das conveniências, o que fez com que uma parcela incomodada da platéia debandasse antes do final arrebatador.

Tudo é abordado de uma forma abstrata que junta os atores em cena as projeções lúdicas capitaneadas pelo cineasta e fotógrafo Bruno Gularte Barreto. A beleza das cenas que também conta com luzes fluorescentes são imagens um tanto indescritíveis. O aquário de Teresa germina, floresce, entristece e interage diretamente com a platéia que passa pelos diversos estágios do amor, do desejo à loucura.

A melhor coisa da Arte é quando ela te convida para compartilhar experiências e conhecer novas linguagens, quando ela perturba e te faz refletir. Muito sucesso e merda para a Cia Espaço em Branco que já tem duas temporadas de Teresa agendadas para o ano que vem, no Espaço Ox e na Sala Alvaro Moreyra.

Quem sou eu?

Minha foto
Eduardo Iribarrem
Meu nome é Eduardo, tenho 20 e poucos anos, moro no RS. Sou feliz por viver na era da informação. Entre as minhas coisas preferidas no mundo estão música, cinema e internet. É isso tudo, e um pouco mais que pretendo reunir aqui no Blog. Fora isso estudo Jornalismo e sou DJ. Se por acaso alguém achar que vale a pena descobrir mais, aí vai o MSN, eduardo417@hotmail.com
http://unascositasmas.blogspot.com/

domingo, dezembro 21, 2008

Mais uma crítica, agradecido amigo!

Felipe V. disse...

Fui ver Teresa e o Aquário e sai mal do teatro. E ao mesmo tempo muito feliz. A impressão que eu tive é que estava diante de algo realmente novo, não novo no mundo da arte (o espetáculo é uma explosão de referências maravilhosas), mas novo aos olhares de Porto Alegre. O público, atônito em muitos momentos, saia do Teatro São Pedro a cada nova cacetada dada pelo espetáculo. A platéia foi ficando cada vez mais vazia, e o espetáculo ficando cada vez mais perturbador. E lindo! Teresa e o Aquário foi uma epopéia imagética, uma profusão pictórica de vísceras e água, algo difícil de engolir, quase impossível de digerir e que ficará na minha cabeça por muito tempo. Talvez seja um dos trabalhos que melhor define a expressão de uma amiga minha, a Mary: contemplar é um ato violento. Ousadia e beleza caminhando de mãos dadas é uma das melhores coisas que podem acontecer numa obra de arte. Lisandro, a cena em que enfrentas o trânsito é espetacular. Sissi, passei metade da peça de boca aberta. Tu simplesmente destrói. Aquela cena da vaca é um absurdo de impressionante, to pensando até agora naquilo! A luz está linda, a trilha ao vivo é incrível, os vídeos são mágicos, a direção é sensível, precisa e inteligente. Enfim, não tenho muito o que dizer senão dar os meus mais sinceros parabéns a Cia. Espaço Em Branco!


Felipe Vieira de Galisteo

  • Idade: 26
  • Sexo: Masculino
  • Signo astrológico: Áries
  • Ano do zodíaco: Cachorro
  • Atividade: Artes
http://teatrosarcaustico.blogspot.com/

ESTREAMOS!!! Uma primeira crítica:

Teresa e o Aquário


Contemplar-se

“Entra Jasão e dirige-se à Medéia (...)

MEDÉIA

Maior dos cínicos! (É a pior injúria que minha língua tem para estigmatizar a tua covardia!) Estás aqui, apontas-me, tu,meu inimigo mortal? Não é bravura, nem ousadia, olhar de frente os ex-amigos depois de os reduzir a nada! O vício máximo dos homens é o cinismo. Mas, pensando bem, é preferível ver-te aqui; abrandarei meu coração retribuindo teus insultos e sofrerás ouvindo-me. (...) Tratado assim por nós, homem mais vil de todos, tu me traíste e já subiste em leito novo! (...) Ah! Esta mão direita e estes meus joelhos que tantas vezes seguraste! Ah! Foi em vão que tantas vezes me abraçaste, miserável! Como fui enganada em minhas esperanças!... (...)

Não quero uma felicidade tão penosa, nem opulência que me esmague o coração!”

EURÍPIDES. Medéia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, (s.d.). P. 36 – 41.

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Há um aquário que, um dia, fica vazio porque a água toda escorre pela casa como também o amor escorre por todo o mundo quando estamos apaixonados. Há um peixe dentro do aquário que está vazio porque a água, assim como o amor, foi embora. O peixe não se convence da morte e luta contra ela. Então, encosta sua cabeça no fundo tentando respirar até que não se lembra mais de nada.

Tereza estava com cabeça no fundo do seu aquário quando Ele voltou. Ele, seu ex-marido que se foi, que não a valorizou, que partiu, que sumiu a inundar o mundo. Ele volta. Chama por ela uma vez. Quer falar. Chama outra. E outra. E outra. Ela resiste. Os dois brigam. O amor, como água se foi. Que ele também se vá.

Tereza veste um vestido branco sem nada além de branco como também é o chão. Ele veste uma calça preta sem nada cobrindo o peito. Os dois estão descalços. A luz é geral. O aquário é um balde comum cheio de água comum. Nem uma única palavra é dita.

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Eurípides escreveu Medéia em 431 a. C. João de Ricardo pré-estreou “Tereza e o Aquário” ontem. Um marido que se vai. Uma mulher que fica. Um rancor que se guarda.

O que há entre João de Ricardo e Eurípides é 2.439 anos de diferença. O que há entre nós e João de Ricardo é um caminho incerto entre o que fazemos e sentimos e o que percebemos que fazemos e o que percebemos que sentimos. Porque qualquer um pode montar Medéia hoje, mas não é qualquer um que representar a si mesmo, a sua geração, o nosso conflito. Não é da relação homem e mulher que falamos ao citar Medéia. Tampouco ao enaltecer os valores de Tereza e o Aquário, produção da Espaço em Branco. Mas é porque o cinqüentão Eurípides contou a sua versão e utilizou o seu tempo para contar a história que queria. Hoje lemos a tragédia e sentimos o século IV antes de Cristo. Agora, assistimos a “Tereza” e nos sentimos como parte de uma história no quase verão de 2008-2009. João de Ricardo, trintão, nos deixa sentir o nosso próprio tempo. Somos no palco.

Não temos regras e as que há não incidem sobre nossas decisões como outrora aconteceu com nossos pais. Os atores não definem um fim ou um início. Sissi Venturin come bergomotas (?) e Lisandro Bellotto faz nós em gravatas. Nem sempre sabemos o que dizer, nos debatemos como loucos em busca do quê e de que formas se expressar. Tereza se joga no chão, baila sobre a atriz que a interpreta. E a liberdade conquistada antes de nós nos deixa sem ideologia, imersos sobre luzes coloridas e bichos pequenos vistos como se fossem grandes. Nossos celulares tocam até mesmo quando estamos fazendo cocô, personagens de uma tragédia grega, dispostos conforme nos pedem os deuses sem que saibamos bem quais, quem e quantos são eles. Nossa visão não é/está nítida porque estamos no fundo do mar e olhamos com olhos de mergulhadores para a realidade que nos envolta.

Duas horas de um espetáculo que nos coloca como Tereza a olhar o seu aquário e ver-se no lugar do peixe. Poderia ser uma hora e meia, houvesse menos projeção e mantida a atuação no valor que já tem. Afinal, o sublime do espetáculo está nas sementes e não na árvore inteira que cresce na medida em que a água dos aquários sai.

O onírico está em contemplar-se com interesse e emoção. Palmas!

Rodrigo Monteiro

Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
http://teatropoa.blogspot.com/

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Teresa e o Aquário estréia!


Convido a todos os amigos para a estreia do mais novo espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO dirijido por mim. Dia 20, 20h no Theatro São PEdro. A Entrada é FRANCA!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Bienal do VAzio

Interessante, esvazia o espaço, aparecem as pessoas. Muito interessante.

terça-feira, outubro 21, 2008

Bienal Internacional de Dança de Par em Par do Ceará.



http://www.bienaldedanca.com/programacao.html

Olha que surpresa agradável, um vídeo que foi feito dentro do Andy-Edie, dirigido por mim, e com a Sissi Venturin performando lindamente a morte de Edie Sedgwick foi selecionado para a Bienal Internacional de PAr em PAr de Dança do ceará!

Confira na Programação

18. In Box: Para Edie Sedgwik (2006) – Porto Alegre (RS) – Direção e concepção João de Ricardo Composição coreográfica e intérprete Sissi Venturini Produção Cia Espaço em BRANCO Duração 2’18’’

terça-feira, outubro 07, 2008

quarta-feira, outubro 01, 2008

bom, mau , feio e bonito


auto retratos do artista