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sexta-feira, setembro 19, 2008

Casulo N. 7



Esse casulo foi feio durante o FEIA. Festival de Artes do Instituto e Artes da UNICAMP. Em 17 de setembro, durante o pôr do sol.
fotos by flavio rabelo e isabella santana - edição das imagens joão de ricardo powered by photoshop.

TASK:
O performer conversa com os transeuntes e pede para que eles leiam um texto (esse que vem a seguir) num gravador manual. k-7.
o performer depois de coletar diversas leituras, depos de ter ffeito contato com várias pessoas vai até um gerador de energia.
cola sua roupas com durex nesse gerador
enrola-se em um plástico
deitado, rebobina a fita do gravador e ouve os depoimentos-ficções.

1

espero poder estar morando em algum lugar ano que vem

espero tenho esperança

é sempre uma pressão

a vida é uma pressão constante


os zen falam estamos sempre perdendo somos temporais

como encontrar equilíbrio nisso

no instante furacão?


2


I want to send you the file ''Our Hell.mp3'' (5,87M bytes). It will be saved in directory C:/Arquivos de programas/aMSN/scripts/amsn_received. Do you want to receive this file? - (Accept / Save as / Reject) File transfer accepted


que gostoso esse flow

td bem robozinho?

sim estou bem e usted?

eu tmbm acho que to bem só penso no meu trabalho tento investir nele como forma de...até de possibilidade de existência sublimação total

eh bom

sei lá é é é é é bom

é é bom é é bom sei lá é é bom

vou me enrolar em plástico amanhã

amanhã será hoje será agora amanhã será ontem será anteontem amanhã amanhã sera hoje amanhã

será o ontem de hoje amanhã

será agora foi ontem é agora será amanhã

amanhã é hoje ontem

vou ter um gravador como esse veja bem

veja bem eu deitado aqui ontem ou era hoje?

eu deitad o aqui hoje.

vou pegar conversas como esta confissões vou gravá-las e ouvi-las

em público num entardecer

mais textos vou mandar isso em vídeo em foto pra todo mundo, quero trabalhar e ano que vem não to com perspectivas muito concretas além de ter que escrever meu texto - reflexão sobre esse próprio trabalho que está acontecendo aqui e ganhar dinheiro uma bolsa que to tentando funarte com um texto que estou escrevendo desde 2006 e um concurso público !!!

concurso público dinheiro tudo custa dinheiro minha existência está diretamente relacionada a minha capacidade ou não de ganhar dinheiro


vc tem mais planos que eu


vc tem o seu emprego não? e seus clientes. Vc tem sua existência garantida por um fluxo de dinheiro

simmas não sei aonde vou estar ano que vem

no ano que vem no ano que vem

as vz eu acho que tu te sente um freak como eu me sinto mas não é só isso sei lá to me autoprojetando

eu me sinto um freak muitas vezes

vem vem é tudo um blur

eu também eu

eu ano que vem como eu

o que fazer ano que vem o que fazer agora? o que eu fiz até ontem?

é tudo um blur BLURRR

isso é tudo um blur meu futuro é um blur


ontem fui num buteco

me deram 29 anos eu tenho 21 anos

eu tenho 30 anos me deram 21 anos

eu tenho barba branca e já to ficando careca

eu já namorei duas vezes e meia eu já achei que amei muito mais que duas vezes e meia mas eu jamais vou conseguir definir quando estou ou não amando

é só um buraco físico, um ardor, uma idéia repetida mil vezes uma idéia repetida mil vezes eu não quero nenhum tipo de relacionamento eu sou uma pessoa fria eu sou uma pessoa uma pessoa que não sabe pra onde ir mas continua indo

eu tenho 21 anos eu não sei lidar com o amor eu não se lidar com as responsabilidades eu faço as coisas como eu robô eu faço tudo automático eu só preciso assegurar minha existência ganhando dinheiro amando dando oi pros meus amigos


tu ta pegando tudo pra ti

divide com as pessoas

refresh your heart


tenho que achar ele o eu

vou sublimar o robozinho do mágico de oz

sublimar

o pequeno cadáver de lata


as vz eu acho que tu te sente um freak como eu e sinto

mas não é só isso sei lá to me autoprojetando

eu me sinto um freak muitas vezes eu também me sinto

mas aí penso...por que??? eu q devo estar errado..os outros q estão

eu nem sei o que penso to em blur total:

só tenho tarefas a serem cumpridas

além disso tentar ser alguém

cadáver de lata

vou me enrolar em plástico


já estou enrolado até o coração das células até o nascedouro das idéias

tudo o que visto, sinto, minha conta no banco , meus deveres a cumprir meus medos

adensando a complexidade da minha vida


fui tirar dinheiro para comprar comida pouco dinheiro pois eu como no bandejão, pra economizar eu tenho algum dinheiro guardado pra economizar a conta estava vazia

tinham limpado minha conta

me clonaram

me deletaram no msn

me clonaram e rasparam minha conta

apagaram meu histórico me deletaram me clonaram

mas eu não acho complexo...é tudo simples, simples e complexo

é difícil pra mim até organizar meus textos as coisas mais corriqueiras o que fazer a cada dia

encarar cada dia ser encarado pelos dias organizar as mínimas coisas e tudo mais a grandiosa complexidade da banalidades de cada tarefa que me ocupa e me define

dramin faz dormir e não precisa de receita preta

eu já tomei muito remédio de tarja preta

eu pareço estar em tempos e lugares diferentes, ao mesmo tempo

eu sou um robô um cadáver um homem até onde?


(pausalonga)


2


eu tenho vergonha de me olhar olhar meus próprios vícios de linguagem

eu me vejo aqui deitado no chão como um corpo achado num parque como uma dessas imagens fetiche que ja vi tantas vezes nas tela frias. olhando pras telas frias e seus corpos cobertos de plástico. o gravador na mão. memória de warhol. na memória como espaço físico a ser preenchido como dimensão temporal e física como ação e ritual como incorporação da memória como subjetivação

O aparecimento de um súbito "de" entre as palavras que compõe o meu nome.

que por sinal é feito da mesma matéria do nome dos meus avós:o materno joão e o paterno ricardo. brasileiros ele trabalhou como secretário e entre cadernos calculadoras e canetas e telefones escrevendo coisas organizando papeis atendendo telefones telefones celulares vendo televisão ouvindo rádio jogando videogame com a gente fazendo gente sendo gente entre as pessoas meu avô ricardo na zona rural de portoalegre pequeno comerciante a casa com a bisavó um terreno cheio de memória e cantos escondidos armários pesados de madeira uma gaiola onde o charque seca onde as uvas não são tão doces quanto as do super mercado mas é bonito vê-las uma casa de madeira e uma velha quase espectral a horta tudo verde e húmido tinha que passar o parreiral o armário antigo o cheio da casa dela o elefantinho de molho de tomate pendurado na porta do guarda roupa

as figuras que aparecem nas portas dos ármários de madeira, nos forros do teto nos mofos da parede

as caras de gentes

atendendo ao outro ao patrão e as pessoas que chegavam no armazém ou nos escritórios na antiga madeireira depois de ter fechado ele, ter alugado o ponto, trabalhado pro meu pai no escritório em vários escritórios servindo os patrões os filhos os netos às pessoas que chegam no balcão tomando cerveja nos fins de semana dos filhos dessa gente sou filhos deles dos meus pais dos meus avós desses homems que estavam sempre entre outros homens todo mundo num tecido só pessoas na frente de pessoas entre pessoas dormindo namorando brigando traindo tendo ciúme roubando sendo roubado a cada instante desaparecendo no furacão do instante.


o que tu pensa em fazer? o que ta rolando????


(pausa)


3


unidos pelos sentidos pela presença física de nossos corpos.

esse aparecimento deu-se quando pesquisei meu prórpio nome do google

longe de qualquer afetividade, só pela natureza fria da tela, de alguém que nasceu e cresceu frente uma enorme de tela fria, e parentes, e amigos, e comunidade, colegas, pessoas e máquinas,e as páginas misteriosas e terríveis curiosas sempre dos livros dos olhos pintados de vermelho nos livros nas histórias que eu lia via me sujava todo de poeira de imaginação de perder o fôlego de ter insônia de não querer jamais sair da cama.

eu só consigo pensar em afirmar a materialidade dessas coisas tão banais e preciosas

gravando elas, dando meu corpo pra elas, enrolado num plástico, esse sou eu

caído, enrolado, vivo, vestido morto pelado aqui e a muito tempo atrás,

nós nem nos conhecíamos nossas almas eram anjos era memórias virgens não nascidas turbilhonamentos abstratos

nunca imaginaríamos que estamos aqui. frente um do outro.

por eu ser um veterano do atari (eu me dei um playstation 2 esse ano, vou carregá-lo nas costas como um bebezinho mimado eu tenho uma gata também, não sei como carregá-la, uma gata que já foi rejeitado por dois, será por mais um e assim subsequentemente. alguém quer adotar uma gatinha?)

e meu velho computador de mesa que comprei com o grana que juntei em minha permanência em portugal, trabalhando sempre, por ae, sempre indo sem saber para onde ir mais indo

minha falcon milenium (pausa) suja, suja!


por sermos tão profundamente banais. por as vezes querer entrar com o carro no poste mesmo parado. Por eu querer entrar com meu carro em um porte em alta velocidade em dirigir rápido até o abismo mesmo sem nunca ter aprendido a dirigir andando sempre eu me enrolo aqui reivindico mina materialidade primeira


(pausa)


4


no momento estou montando a programação de um site, depois tenho q finalizar outras coisas de outros projetos q estão abertos...no final de semana devo ir até minha cidade pois meus pais farão 25 anos de casados semana que vem e vou levar eles e minhas irmãs pra jantar eu pretendo trazer o vídeo-game que meu pai comprou pra ele aqui pra casa...nintendo wii divertidissimo

tu sabe da sedução das máqunas me sinto atraído por ti vamos ser namorados vamos jogar videoagame juntos

eu sou um veterano do atari até meu avô joga videogame

nós seguramos juntos no joystick JOYY JOYYYY joyyy joyyyyyy


5


eu estou negociando


o aparecimento súbito de um "de" entre o meu nome, nova composição do meu nome, foi feita pra que ao me procurarem no google não achassem o guitarrista dos secos e molhados antes de mim.

pela imaterialidade do meu trabalho pela presença mesmo que virtual, simbólica, avatar incorporado na rede dentro e fora irmão e duplo das telas frias dos olhos

pela medo do grau de intimidade do meu trabalho, publico e privado

pra ser achado para criar canais de comunicação por invenção

pela imaterialidade do meu trabalho eu reclamo minha própria existência física como atualização de memória como identidade pessoal materialidade como possibilidade de construção do passado do futuro do eterno atual

meu nome é joão "de "ricardo. eu nasci em 1977. a ditadura aproximava-se do seu esgar e eu na frente da telinha, comendo do colher que minha mãe me levva a boca, um velho vestindo verde oliva,de ray-ban na televisão

eu sou artista quando não estou em pânico ou simplesmente catatônico quando eu não sou um artista

eu nasci faz 30 anos sou um corpo jogado num mato,enrolado num plástico segurando um gravador se ouvindo em silêncio. alguém.


6


meu coração sapateando

o meu tmbm

meu deus todos os meus amigos estão aoux borde du nerves

arquétipo e cafonice

ENTRE O CEU E O INFERNO DA MAGIA

só de noite

o cara que pisoteia meu coração me chama de baby e depois não fala mais comigo

todos meus amigos em pane

homens

PANE

TILT NO CORAÇÃO

TILT NA MENTE

eu tento entender, ele parece facilitar e depois volta atrás

homens

sentir pensando

isso me deixa cos corno virado

isso me deixa com os cornos virados

num sei se sou

só tenho a mim mesmo a imaterialidade do meu trabalho

eu só tenho a mim mesma

passei por uma depre trashissima de duas semanas

fiquei dias sem comer e tomei tragos que achei que fosse morrer

amanhã vou me enrolar em plástico num grande plástico semi fosco com um gravador na mão provavelmente nú e vou ficar deitado no mato ouvindo muitas confissões trechos de conversas raciocínios vagos

mas acho que ter enfrentado o monstro e não só medicado ele me libertou um pouco

eu tmbm fique podre semana passada tomei porres

o gordo em porto alegre tomou um caixa de remédio pra dormir

tem no meu msn semi conhecido internado em hospital por depressão

tilt na alma

vou ter que me desfazer de tudo o que construí assim de material nesses dois anos aqui

voltar

tilt no coração

ir pra outro lugar

mais mudança

to me abrindo pro que der e vier

dependo de muitas coisas muito vagas blurs

blur na mente

tilt no coração

o mundo em total eclipse

não sei mais o que faço além de tudo que faço

trabalho

vamos ouvir blur

end of the century

fui até o atendimento psiquiátrico da universidade sentei na frente da senhora eu rpecisava conversar ela prontamente me chamou de perverso, mórbido e que eu não sei se eu sou um garoto ou um homem, e que a vida é dura e eu concordei apesar e achar a técnica redutiva e não percebendo tudo mais

de usar bermuda e tenisinho assim da moda (da moda...) e jaqueta de homem

mas eu me criei fazendo dos limões minhas limonadas

ela me chamou de perverso de mórbido e eu ali, sentado com todos os meus segundos de vida

olhando pra cara dela, bem triste por dentro

sendo duro olhando na pupila

pensei nos meus trinta anos. Memória e imaginação.


terça-feira, setembro 02, 2008

Reunião Cinetífica ABRACE- GT Terrítórios e Fronteiras

Durante o "open space" que foi realizado pelo GT "Territórios e Fronteiras" da ABRACE Associação Brasileira de Pesuisa e Pós Graduação em Artes Cênicas. o Coletivo Arquipélago realizou algumas ações.
Nas fotos a minha ação, uma mãozinha pra derreter o gelo.
Nas fotos Lúcio Agra e Mario Santana me emprestando um pouco de calor.

sexta-feira, agosto 29, 2008

casulo N. 5: escombros POP

casulo realizado em porto alegre durante o processo de preparação do atual espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO "teresa e o aquário" utilizando materias que "sobraram" de "andy/edie" lâmpadas fluorescentes, espelhos, plástico.

sexta-feira, junho 20, 2008

Casulo N.3 - Vídeo

Para os amigos que sempre perguntavam: cadê o vídeo?!
ai está!

Câmera : João Maria
Performance e edição : João de Ricardo

Casulo N. 3

terça-feira, junho 10, 2008

Casulo N. 3 - Sebastiãos, Prósperos, Ariels e outros devires



Esse Casulo foi realizado domingo, dia 09 de junho no Pátio do Ciclo Básico, UNICAMP. CAsulo número três propõe a integração do casulo com um Ypê Florido. Tambm lança seus peles plásticas em direção aos devires corporais que povoam "A Tempestade" de Willian Shakespeare,o imaginário erótico espiritual das imagens de São Sebastião e o horror dos corpos mumificados.
A documentação foi feita pelos colegas-participantes Isabella de Oliveira, Ju, João Maria e Adriel apartir da seguinte proposta: com o seu olhar, procure onde o corpo se trasforma. O álbum abaixo é o olhar do Adriel sobre a ação:



esse álbum é mais longo e foi feito com os olhares da Isa e da Ju


PRÓSPERO — Ah! sim? Preciso todos os meses repetir quem foste, coisa de que te esqueces a toda hora. Essa bruxa maldita, Sicorax, por crimes horrorosos e terríveis feitiçarias que os mortais ouvidos não podem suportar, se viu banida, como sabes, da Argélia. Uma só coisa — ia ser mãe — pôde salvar-lhea vida. Não é verdade tudo?

ARIEL — Sim, senhor.

PRÓSPERO — Por grávida encontrar-se, essa megera de olhos azuis foi para cá trazida e abandonada pelos marinheiros. Tu, meu escravo, como te nomeias, eras, então, seu criado. Mas por seres umespírito muito delicado para suas ordens por demais terrenas e repugnantes, não te submetias a quanto ela ordenava, razão clara de te haver ela, ouvindo o imperativo de seu furor imenso e com o auxílio de seus ministros de poder mais forte, fechado numa fenda de pinheiro. Nessa racha de tronco, atormentado, uns doze anos ficaste, no qual tempo veio a morrer a amaldiçoada bruxa, na prisão te deixando, onde soltavas gemidos tão freqüentes como as rodas do moinho em seu girar. Então, esta ilha — se excetuarmos o filho que ela teve, um mostrengo manchado — forma humana nenhumaa enobrecia.

ARIEL — Sim, seu filho Calibã.

PRÓSPERO — Coisa obtusa, é o que te digo. É o mesmo Calibã que ora me serve. Ninguém melhor que tu sabe os tormentos em que te achei. Faziam teus gemidos ulular lobos e calavam fundo no coração dos ursos indomáveis. Era martírio para os condenados aos suplícios eternos, que desfeito já não podia ser por Sicorax.

ARIEL — Agradeço-te, mestre.

PRÓSPERO — Caso venhas de novo a murmurar, fendo um carvalho e como cunha te comprimo dentro de seu nodoso corpo, até que venhas ululado durante doze invernos.

TASK: o performer ao colar-se ao objeto, nesse caso a árvore florida, expande sua pele, deixa com que a ação o leve a um CsO Um Corpo sem Órgãos, um corpo desorganizado e pleno processo de devir. Nesse caso podemos apontar diretamente o devir "tempestade" ja que a ação remete também ao processo artístico em si ( o enrrolar-se na fita durex e o campo lírico que esta gera) e lembremos do Próspero de Greenaway, todos os devires do mago são reflexos do seu próprio discurso.

terça-feira, maio 27, 2008

Hot Room

Essa ação faz parte do work in progress: Arquipélago. Vc pode ver as ações que tem formado o corpo desse trabalho aqui, pelo blogue, ler os textos de concepção e se divertir vendo as fotos. Hot Room é também a preparação para um novo arquipélago, que será inscrito no FEIA, festival do instituto de artes, UNICAMP.
Cruzamos o mito de Narciso (post abaixo) com o de Perséfone, moça que foi dopada, sequestrada estuprada e coroada rainha por nada mais nada menos do que o próprio HADES (o deus dos mortos).

Performadores: João de Ricardo e Isabella Santana.
Fotos por Tonhão
Edição João de Ricardo

quinta-feira, maio 15, 2008

Casulo Número DOIS Cinema íntimo

"Somos os propositores,
somos o molde,
a vocês cabe o sopro,
no interior desse molde:
o sentido da nossa existência.

Somos os propositores:
nossa proposição é o diálogo.
Sós, não existimos; estamos a vosso dispor.

Somos os propositores:
enterramos a obra de arte como tal
e solicitamos a vocês para que
o pensamento viva pela ação.

Somos os propositores:
não lhes propomos nem o passado,
nem o futuro, mas o agora."

Lygia Clark, 1968

Casulo Número Dois: Cinema Íntimo explodiu como ação no dia de ontem, quarta feira, ao anoitecer, como é de praxe. Esse casulo se forma e arrebenta um um momento íntimo conturbado, momento também de namoro com o pensamento vivíssimo da artista Lygia Clark e a mistura disso com o que vem acontecendo intelectual-afetiva-corporalmente até aqui. O Estudo sistemático sobre a performance art. O Corpo sem òrgãos como magnetizador constante das ações. Casulo número dois foi realizado no meu quarto, na frente do meu altar pessoal. Essa é uma ação íntima e também mais um corte-aprendizado dentro do Coletivo Arquipélago pois assim é a idéia: as ações mesmo individuais vão crescendo dentro do corpo do coletivo e vive-versa. A Isabela sempre junto criando comigo esse corpo agenciamento. Fiz esse casulo como um ritual pessoal, desdobrei meu cotidiano em um campo estético que reverberou profundamente em mim e agora lanço essa documentação para que de alguma forma ele ainda reverbere como ação possível minha, e de quem quiser fazê-la.


TAREFA:
Trasformar seu quarto num casulo com filme plático.
Despido, cobrir-se com leite condensado (lembrei-me da Márcia X)
Pintar os dentes com baton vermelho.
Misturar-se com os plásticos
Sair do casulo.

A ação foi documentada por centenas de frames tirados pela webcam pela Isa e pelo Patrick.

OS frames agora foram editados e dialogam com outra proposição que venho realizando que são os "outros cinemas".
Estes outros cinemas são reverberações da mesma chama que acende meu trabalho atual. A Performance Art. Para criar um campo de arte, basta propror. "Denken Ist Plastik" nos lembra Beuys, " enterramos a obra de arte como tal
e solicitamos a vocês para que o pensamento viva pela ação" arremata Clark. Cinema sem câmera e sem movimento. Documentação pessoal. Performance art. Cinema com câmera e movimento privados, íntimos, mais uma reverberação de alguém que não vê o casulo como fetiche, mas que mergulha na potência de mutação.

.


Meu documento íntimo: máscara molhada do nebulizador quando eu tenho falta de ar. e eu to sempre precisando usar a máquina molhada que me faz respirar. eu gosto quando nos filmes aparece a neblina. gosto de abrir as janelas de madrugada para ver a neblina silenciosa tomando conta de tudo. alaranjada e viva.
montar um teatrinho dentro do quarto. meus irmãos. e eu deitados no chão semi tapados com os cobertores, braço de um perna do outro cabeça saindo pra fora, e a maquininha do nebulizador ligada, trazendo neblina minha para o quarto.

a criação passa por esse espaço onde eu já não sei mais o que é memória, o que é invenção ou o que é sonho. borda líquida. paisagens afetivas. redimensionamento e atualização constante.

sábado, maio 10, 2008

Ação do dia 2


Ser sexual sem ser genital

quinta-feira, maio 08, 2008

Ação:

Reinvindico ser tudo o que desconheço.
JdR


Esta senhora linda é Lygia Clark. Esbarrei meio sem querer querendo (desejo o desconhecido com a avidez de uma fera) na obra dela. Estou vivificado. Ela partiu do concretismo e chegou no... homem.
Só pra constar. VIVA LYGIA!

"A obra (de arte) deve exigir uma participação imediata do espectador e ele, espectador, deve ser jogado dentro dela"
L.G.

Este é um "bicho", 1960



Vejam essa obra-proposição: chama-se "caminhando" de 1963.


está é a "arquitetura biológica" de 1969.

sexta-feira, abril 25, 2008

Arquipélago N.1 Documentação Fotográfica

Álbum Apressado , 53 fotos:



Álbum Completo: 350 fotos


Fotos por Tonhão e Patrick

e vc não tiver flash acesse o álbum por AQUI

terça-feira, abril 22, 2008

Arquipélago N.1 Devir

> 28 de novembro de 1947 – Como criar para si um corpo sem órgãos

Quem veio primeiro, o OVO ou a GALINHA?

No dia 28 de novembro de 1947, Artaud declara guerra aos órgãos: Para acabar com o juízo de Deus, "porque atem-me se quiserem, mas nada há de mais inútil do que um órgão". É uma experimentação não somente radiofônica, mas biológica, política, atraindo sobre si censura e repressão. Corpus e Socius, política e experimentação. Não deixarão você experimentar em seu canto. (DELEUZE-GUATARRI 1996: 10)

Junto a Referência artaudiana, o Corpo sem Órgãos, que será centralizadora deste platô,um dos muitos Mil Platôs de Deleuze e Guatarri, vemos o desenho de um ovo que contém em sua gema uma espiral além de pequena rubrica que diz “o ovo dogon e a repartição de intensidades”. Esse ovo desenhado faz parte da mitologia de uma tribo africana que foi largamente estudada pelos sociólogos e antropólogos franceses no início do século, os Dogon. Esse ovo está no centro da mitologia da tribo e está associado a narrativas cosmogonicas[1]: o mundo e os seres humanos teriam partido dali. Qual é o agenciamento entre o ovo e o CsO? O ovo e a estrutura arquitetônica da Unicamp, seu logo, o chafariz central agora seco um corpo sem líquidos é um corpocadáver. (veja o que é a rodela nos textos a seguir)


[1] Cosmogonia (do grego κοσμογονία; κόσμος "universo" e -γονία "nascimento") é o termo que abrange as diversas lendas e teorias sobre as origens do universo de acordo com as religiões, mitologias e científicas através da história. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmogonia pesquisado em 21/ 12 / 2007


A ação Arquipélago um está organizada em três rizomas que referem-se a cada performer: como nameira de organizar a concepção - ação, propomos algumas TASKS, tarefas que deveremos atualizar no decorrer da ação. Progrmas de comportamento.

O performer está em casa. O trajeto íntimo-público. Casa-Rodela. Que traços eu trago do meu universo subjetivo e levo para o espaço público? Ir de casa até a rodela, conversar sobre a ação com as pessoas no caminho, se encontrar com os outros performers no local específico da ação.
Entrar junto no espaço de ação, escolher, desinfetar e encapar com plástico a pedra específica que servirá de ilha. Criar a sua ilha com seus objetos pessoais, etc.

SEGUE nos próximos Devires. Tente linkar os universos de cada devir com o performer referente. As TASKS serão executadas em uma ordem a ser definida no momento. Assim, a ordem destas postagens não é relevante.

Arquipélago N.1 Devir


o CsO paranóio-catatônico de Cindy Sherman. O Corpoestranho.

TASKS:

Colocar a Máscara e as roupas do outro. A Máscara estranha não tem visão.


Vagar cegamente até encontrar algum outro performer. Ao encontrá-lo trocar de máscara e roupa. Cada performer deverá passar pelas identidades dos outros dois. Ae voltar a sua identidade, volta a sua ilha, recolhe seu material e sai. Ao sair da rodela, o Performer escolhe e cria um casulo para a sua máscara estranha em algum local. Rastros da ação.

Arquipélago N.1 Devir

Os espelhos de Helmut Newton. O corpocadaver. O CsO glacial e drogado.

Tasks:

O performer instala-se na sua ilha. Despe-se. Coloca seu mp3 player nos ouvidos. Fica com roupas de banho. Passa bronzeador, cremes no corpo. Com um espelho vê a si prórprio e o mundo a sua volta. com um espelho duplica-se e duplica o outro. Com o espelho reflete raios solares que interferem na visão. Conforme a playlist que toca no seu mp3 player, o performer reage fisicamente.

Arquipélago N.1 Devir


o CsO Masoquista de Mapplethorpe. Casuloplástico.

Tasks:

O performer cria em torno de si um casulo com material plástico. O mesmo plástico que encasulou as pedras de cada ilha. Como casulo, descoca-se até a ilha do outro. Instala seu corpo durante a tragetória no espaço. Ao chegar no seu objetivo, sai do casulo.

domingo, abril 20, 2008

Grotitos

Até onde pode ir a ação performática? Até o msn, com certeza!
Estou disponibilizando aos amigos os Grotitos: Emoticons do João de Ricardo, para pegá-los entre na imagem abaixo , salve o que vc quiser nos eu computador e coloque na sua lista de emoticons.

Have Fun!



Emoticons João de Ricardo

Arquipélago número um: texto de concepção "in progress"

Arquipélago número UM:

Essa ação é decorrência direta do primeiro workshop feito em (botar data) no Lume –Teatro com os performers Flávio Rabelo, Isabella Oliveira, João de Ricardo, Rodrigo Scalari e Shima, tendo o objetivo de criar um grupo de estudo e ação em performance art. Os participantes em sua maioria estão atualmente desenvolvendo pesquisas de mestrado na área de teatro - artes plásticas – performance art.

Está ocorrendo desde domingo, dia 20 de abril e culminará dia 23 de abril, às 15:30 na fonte seca da praça do Ciclo Básico, UNICAMP-SP.

Neste workshop estão presentes: Flávio Rabelo Isabella Santana e João de Ricardo

Cada indivíduo. E sua pesquisa.

A minha pesquisa é uma ação prática-teórica que através da noção de dramaturgia tenta apreender a relação entre o encenador e o performer. Em outras camadas poderíamos falar das analogias que essa relação traz em outras dimensões como teatro e performance, representação e presentificação, tempo da ficção e tempo da ação etc...

Arquipélago Número Um tenta dar conta da curiosidade individual dentro do corpo coletivo e vice-versa sempre. Será o segundo workshop onde nós viveremos alguns conceitos fundadores para nossas pesquisas. Arquipélago Um tenta dar conta da curiosidade individual dentro do corpo coletivo e vice-versa sempre. Será o segundo workshop onde nós viveremos alguns conceitos fundadores para nossas pesquisas. vc deve estars e perguntando o por que do Arquipélago... Antes de mais nada, o que aparece na sua cabeça? Aquelas ilhasinhas, todas perto uma das outras, mas todas separadas. Todas paracidas mas não iguais. Será o homem uma ilha? E Homens em ação, juntos, cada um singular mas contaminados pela água que circula entre os corpos. Artistas num mesmo sistema, ou rizoma se vc gostar dos pós estruturalistas. Conectados entre si e com o mundo. Fazendo parte do mundo.

O crítico de arte Agnaldo Farias escreveu sob encomenda um livrinho que tenta mapear a arte contemporânea brasileira. Ele usa um termoao tentar definir a arte contemporânea: Arquipélago. Vc que adora uma citação bem gostosinha vai adorar esse pedaço do livro que recorto e colo sem piedade:

ARTE CONTEMPORÂNEA ENTENDIDA COMO ARQUIPÉLAGO

Diversamente do período moderno, com suas correntes e tendências artísticas organizadas em grupos como as vanguardas construtivas, os futuristas, dadaístas, surrealistas e outros, autores de manifestos, fundadores de revistas e até escolas, a arte contemporânea no Brasil, como já foi dito, embora possuindo suas matrizes, avança num número tal de direções e é constituída por obras tão singulares que, tudo considerado, ela sugere um arquipélago. A imagem é boa porque foge do reducionismo das grandes etiquetas, que, ao valorizarem as semelhanças entre as obras de alguns artistas, não atentam convenientemente para as diferenças entre elas. Outros argumentos a favor dessa imagem: em primeiro lugar, a descontinuidade que ela sugere, o que contraria a idéia de que seu desenvolvimento se dá linearmente, com cada obra se apresentando como um desdobramento da anterior; e, em segundo lugar, porque com ela nos afastamos da pretensão de um levantamento total de nosso problema, inviável pela extensão que ele assumiria, incompatível com a proposta deste livro.

Um arquipélago porque cada boa obra engendra uma ilha, com topografia, atmosfera e vegetação particulares, eventualmente semelhante a outra ilha, mas sem confundir-se com ela. Percorrê-la com cuidado equivale a vivenciá-la, perceber o que só ela oferece. (Farias, 2007)

1- Performace Art: Cito Patrice Pavis:

O performer no tem que ser um ator desempenhando um papel, mas sucessivamente recitante, pintor, dançarino e, em razão da insistência sobre a sua presença física, um autobiógrafo cênico. O performer é aquele que fala e age em seu próprio nome (enquanto artista e pessoa) e como tal se dirige ao público, ao passo que o ator representa sua personagem e finge não saber que é apenas um ator de teatro. O performer realiza a encenação se seu próprio eu, o ator faz o papel do outro. (PAVIS, 1999, p.285)

A Ação mimética refere-se ao universo do drama, Artitóteles e suas molaridades dramáticas ,refiro-me a toda moldagem conceitual que ocorreu na história do teatro com base na Poética. Aliás falando em molaridade cito Guattari:

“às estratificações que delimitam objetos, sujeitos, representações e seus sistemas de referência. A ordem molecular, ao contrário, é a dos fluxos, dos deveres, das transições de fases, das intensidades”.

A ação performática refere-se a ela própria em tempo espaço e ação. Tomando emprestado um termo das neurociências diria que ela é uma Ação autopoiética.

Autopoiesis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Autopoiesis é um termo criado pelos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela (1945-) para designar a célula enquanto algo "auto-criado". De origem biológica, termo passou a ser usado em outras áreas como a neurobiologia e até na sociologia.

A denominação autopoiese é a fusão de dois termos: “auto” que refere-se ao próprio objeto e “poiese” que diz respeito à reprodução/criação A autopoiese é uma terminologia empregada inicialmente por dois biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela para designar os elementos característicos de um sistema vivo e sua estrutura. Os dois pesquisadores “[...] cunharam, no campo da biologia e da neuropsicologia, o conceito de autopoiesis e avançaram, a partir dele, nas considerações sobre o fenômeno da percepção. O conceito de autopoiesis nasceu da seguinte indagação: como se pode definir um ser vivo?”

2- Work in progress: a performance art cola a noção de objeto com a de processo, "artificando" o mesmo. A opção de fazer esse segundo workshop em público é tornar possível esse recorte vivo na reflexão, unir os tempos entre a criação e a execução.

3- Site-specific: O local para o workshop foi decidido naturalmente diante do desejo coletivo em relacionar-se com a epsuisa e com a isntituição que abriga nossas pesuisas, a UNICAMP. PAra tanto escolhemos o chafariz da praça do Ciclo Básico. Um chafariz em formato circular, o ovo de onde a universidade se estrutura, um lugar que outrora tinha água , peixes e patos. A pupila vermelha no logotipo da UNICAMP. A minha experiência com esse local começou com a decisão performática: toda vez que eu almoçasse no restaurante universitário eu daria uma volta em torno desse monumento dilapidado que nós apelidamos ironicamente de "rodela".

A partir dessa tarefa performática ou, prorama de comproamento, minhas curiosidades anteriores colaram-se com a mitologia e as camadas de acaso que aquele “lugar específico” trouxe. Assim a comunicação com o local reverbera e reverberará nas ações e procedimentos que faremos no workshop. O conceito de HAPPENING desenvolvido pelo artista Allan Kaprow dá conta pela primeira vez dessa cincunstância estética-conceitual do site-specific com o seminal «18 Happenings in 6 Parts». Digo isso seme squecer as ações performáticas site-specific que ocorreram antes, como por exemplo as das vanguardas históricas, os Dadá e os Surrealistas. Mas o tratamento amis apurado em termos de idéia surge mesmo com Kaprow. Além do que Kaprow com as suas articulação des ações - happenings, serve muito bem para eu pdoer refletir sobre o papel do artista "encenador" em outros campos que não os do teatro.

“1. O espaço. Já referi que o tratamento do espaço é fundamental para os happenings. A partir do momento em que uma galeria de arte é inaugurada com uma “nova arte”, que resulta da justaposição de linguagens plásticas e performativas, tal como o propôs Kaprow, o espaço torna-se o ponto comum onde a obra se implanta e acontece, simultaneamente. Por um lado, ele consiste na criação de “ambientes”, com materiais que despertem memórias ou ligações com o quotidiano, produzindo um contexto novo de sentidos onde o espectador é integrado. O próprio espaço físico onde se realizam os happenings são lugares do quotidiano: a rua, a natureza ou espaços não-convencionais. Muito próxima das instalações ou dos espectáculos site-specific contemporâneos, a relação com o espaço ganha então uma qualidade dramatúrgica, na medida em que a selecção e organização dos materiais na obra parte do pressuposto que todos eles são paritários e que potenciam sentidos; esta é uma das linhas de pesquisa das artes performativas (lembro que a palavra original de “ambiente” é “environment” e é a partir dela que Richard Schechner desenvolveria o seu conceito de “environmental theatre”).

Fonte:

http://omelhoranjo.blogspot.com/2006/05/relembrar-allan-kaprow-1927-2006-ii.html

4- Denken ist plastik: Ao sentenciar que pensar é esculpir , o artista alemã Joseph Beuys sintetiza com a força de um spam a noção de que arte é homem, arte é humano e de que todos podem fazer da arte um mecanismo que TRANSFORMA o real. Esse oximoro puxa uma corrente de outros como corpo-cadáver, a noção de materialidade-imaterialidade, presença-ausência, público privado, arte –vida, consciente inconsciente, dentro- fora. Eu gostaria de encher de água aquela fonte seca. Isso é um absurdo? Vc me ajudaria a trazer um caminhão pipa para dentro da Unicamp, para trazer água para a rodela?

5- CsO O corpo sem órgãos. Estender a noção de corpo para além do biológico e do conceitual. Deleuze-Artaud. O corpo da ação. Espetáculo e seu CsO. O CsO de cada performador. Dar continuidade a troca de repertórios de treinamento e procedimentos performáticos de cada artista-pesquisador.Criar rede de conecções conceituais. Um arquipélago entre pesquisas. O CsO de uma coletividade. Cito a noção de CsO de Deleuze Guatarri:

De todo modo você tem um (ou vários), não porque ele pré-exista ou seja dado inteiramente feito — se bem que sob certos aspectos ele pré-exista — mas de todo modo você faz um, não pode desejar sem fazê-lo — e ele espera por você, é um exercício, uma experimentação inevitável, já feita no momento em que você a empreende, não ainda efetuada se você não a começou. Não é tranqüilizador, porque você pode falhar. Ou às vezes pode ser aterrorizante, conduzi-lo à morte. Ele é não-desejo, mas também desejo. Não é uma noção, um conceito, mas antes uma prática, um conjunto de práticas. Ao Corpo sem Órgãos não se chega, não se pode chegar, nunca se acaba de chegar a ele, é um limite. Diz-se: que é isto — o CsO — mas já se está sobre ele — arrastando-se como um verme, tateando como um cego ou correndo como um louco, viajante do deserto e nômade da estepe. É sobre ele que dormimos, velamos, que lutamos, lutamos e somos vencidos, que procuramos nosso lugar, que descobrimos nossas felicidades inauditas e nossas quedas fabulosas, que penetramos e somos penetrados, que amamos. (DELEUZE-GUATARRI 1996 : 9)

Conversa possível entre João de Ricardo e Shima, uma reverberação:

2 [15:17:43] Shima diz:

oi pedaçudo

1[15:17:51] Encontraram pedaços do corpo de João de Ricardo diz:

assim sem criar alardevc passaria de domingo a quarta feira aqui em barão?

olha, preciso ver, não sei

2

tô com 0 legais no bolso sem dinheiro seria para?posso daqui 2 semanas domingo já?

1

seria para o segundo workshop do arquipélago, dessa vez com os ensaios de domingo e segunda la na rodela, terça feira para produção e quarta apresentação do arquipélago número um

2

hummm

1

na rodela,

2

ai que tudo, o que é a rodela?

1

O chafariz seco no centro da UNICAMP A semente geradora de instituição, o Umbigo do seu Zeferino. Um lugar que tinha água e agora não tem mais.

2

tem que postar no bruóg!

1

são algumas ações dos repertórios individuais e mais algumas criadas exclusivamente pela nossa convivência, pensadas e executadas em relação a rodela. Decorrência antural da complexidade do nosso trabalho durando um tempão lá na rodela.

2

coletivo

1

lá na rodela

2:

rodela?........aaaahhhh!

1

performers cercados de idéias por todos os lados

se vc naum puder presencial a gente arma uma conecção

um eco dos teus cabelos negros como a noite que não tem luar

ehheehehe

2

agora que eu to com a alma vendida é difícil ainda mais que eu já programei as minhas aídas aqui no escritório tipo, daqui 2 semanas rola com certeza mas esta semana não

1

Entendo então crie uma conecção possível.um texto.

ou nada e espere até o próximo.

=D

acho importante nós que façamos a acão já. é uma urgência. O Flávio ta viajando. E preciso cortar o delay entre a concepção e a ação. Estou acostumado ao tempo do encenador, ficar meses lambendo uma idéia.

2

eu crio o audiovisualsexual

1

tem que ser moldado em lava viva

2

menino que fogo na bacurinha! to gostando de ver.

João de Ricardo

Campinas: 20 de abril de 2008

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sexta-feira, abril 11, 2008

Casulo número um

Essa ação faz parte da pesquisa de mestrado de João de Ricardo com o título provisório de
ARQUIPÉLAGO:
O Agencimente entre o encenador e o performer.
Instituto de Artes - UNICAMP

Casulo número um:

local: o performer localiza uma árvore, ou canto, ou cerca ou qualquer lugar de domínio público que possa servir de base para seu casulo. Esse casulo número um será criado na praça do CB - UNICAMP

tempo: o casulo será construído durante o crepúsculo, entrando nele durante o dia e saindo dele a noite. segundo a previsão divulgada nos sites de metereologia, em Campinas -SP o sol irá se pôr as 17:58 a ação deverá começar às 17:35.

"Hoje em dia as pessoas apreciam apenas a luz. Mas a quem a luz deve a sua prórpia existência? Às costas das trevas, pois elas carregam luz."
Tatsumi Hijikata


ação: com fitas durex, o performer cria um casulo ao redor de si.

"o essencial no teatro é a metamorfose. o ato de morrer. e o medo dessa metamorfose é geral. nele se pode confiar, sobre ele se pode construir"
Heinner Muller.

essa noite eu sonhei que eu estava numa aula de anatomia. era aluno e ao mesmo tempo cadáver. eu conversava com os vivos sob o ponto de vista dos mortos. eu observava os mortos sob o ponto de vista dos vivos. era executor e executado de uma EXPERIÊNCIA. colega de quem observava e de quem era observado. Ao acordar uma lagarta negra subia pelo marco da porta.
João de Ricardo.

Veja o registro da performance no álbum abaixo. basta clicar sobre a foto. fotos por flávio rabelo. edição das fotos joão de ricardo.