Cia Espaço em BRANCO continua seqüestro do teatro de Arena com o Laboratório de criação teatral: GAIVOTA IN BOX, aberto para a comunidade
A Cia Espaço em BRANCO (Extinção, ANDY/EDIE), dentro das atividades de seqüestro do teatro de arena, apresenta o seu LABORATÓRIO DE CRIAÇÃO TEATRAL: GAIVOTA IN BOX.
O laboratório investigará os processos de construção de cena e personagem a partir da exploração da corporeidade e espontaneidade, tendo como mola propulsora dramatúrgica o texto “A Gaivota” de Anton Tchekhov.
As encontros serão de segundas a quintas feiras, das 19h até as 22h, com início dia 30 de outubro e término dia 21 de dezembro, no teatro de ARENA.
O LABORATÓRIO faz parte da ocupação do Teatro de Arena pela Cia. Espaço em Branco, grupo de teatro que esteve em cartaz com a peça ANDY/EDIE. A Cia. Ganhou o edital de ocupação do espaço para o primeiro semestre de 2006 e mais uma verba de R$ 15 mil para a produção do espetáculo. Honrou o compromisso com o Estado, com a Secretaria da Cultura e com o Teatro de Arena, colocando a peça em cartaz, com recursos próprios - os R$ 15 mil ainda não foram repassados. O Teatro de Arena está ‘seqüestrado’ pela Cia. por tempo indeterminado, violando o limite do edital e oferecendo programação própria até que a verba saia.
Ministrantes: João Ricardo, diretor e ator teatral bacharelado pela UFRGS, dirigiu diversos espetáculos como Serpente, O Livro de Catarina, Extinção e Andy/Edie, é oficineiro pelo segundo ano consecutivo no projeto descentralização da cultura.
Rodrigo Scalari, ator e arte-educador, licenciado pela UFRGS, atuou em diversos espetáculos como Extinção, O Canto do Cisne, Andy/Edie entre outros.
Súmula do Curso:
Corpo –Voz (Mobilidade Funcional das Articulações; Consciência de Pele, Músculo e Ossos; Treinamento Energético e Tônus Muscular; Respiração; Ressonadores Vocais; Ação Vocal etc)
Improvisação (Improvisação Espontânea e Combinada; Ação Dramática e Ação Pragmática; Jogo e Prazer em Cena; Impulso; Intenção da Ação; Espacialidade ((espaço real e imaginário)) etc)
Análise Dramatúrgica ( Estudo da Narrativa da Peça; Divisão do texto por Unidades Dramáticas; Evolução da Ação Dramática; Trajetória e Evolução da Personagem na Peça etc.)
O que: Laboratório de Criação Teatral: GAIVOTA IN BOX
Onde: No Teatro de Arena (Altos da Escadaria da Borges, 835)
Inscrições: Até o dia 30 de outubro, segunda-feira no Teatro de ARENA
Das 14h às 18h
Fone: 32260242
Duração do Laboratório: 8 semanas
Do dia 30 de outubro ao dia 21 de dezembro
Investimento: duas parcelas de R$ 140,00 ou uma de à vista de R$ 250
Vagas limitadas: 10 alunos.
segunda-feira, outubro 23, 2006
quarta-feira, setembro 20, 2006
Entrevista com a queridíssima Fernanda Farah, A Lady Greyyyyyyyy!!!!! =D
João Ricardo: Tu estavas no elenco de A Vida cheia de Som e Fúria. Participou de algum outro espetáculo da Companhia?
Fernanda Farah: Comecei com o Esperando Godot. Ainda não se chamava Sutil, participei da re-montagem para o Rio. Depois do Godot o Estou te escrevendo de um país distante, e aí Sonho e Fúria e agora Thon Pain.
JR: Tu tens na tua formação coisas multidisciplinares. Tem Kathakali, tem Bread and Puppet, música contemporânea. Queria que tu falasses justamente disso, da tua formação e como essas pessoas te marcaram no teu crescimento como atriz.
Fernanda Farah: Comecei a fazer teatro muito cedo, com 12 anos. Fui pra São Paulo trabalhar com o Antunes Filho. Tinha uma hierarquia que me incomodava desde o princípio no teatro, porque eu tinha esse desejo de ser atriz, mas não gostava da palavra do diretor ser a final. Até os meus vinte e poucos, isso me fez fazer muito mais música por não suportar como é possível uma atriz criar alguma coisa sem que fosse na obra de outra pessoa. Comecei a fazer música e conhecer música contemporânea. E fui muito cedo pra Berlim, aos 23, e lá conheci pessoas que trabalham na fronteira das áreas, e consegui fazer um solo lá que também era nessa fronteira de áreas, música, performance. Os músicos que viam diziam que parecia teatro e as pessoas de teatro diziam música.
JR: A performance é maravilhosa por isso, é uma fronteira completamente selvagem entre as linguagens.
Fernanda Farah: É uma terra de ninguém. Comecei a vivenciar isso em Berlim, me sinto muito mais livre em outro língua, aí comecei a gostar de ser atriz de novo, e pedir pelo amor de Deus um texto pra eu ler.
JR: E lá em Berlim tu trabalhas basicamente com performance?E também com teatro musical, ópera contemporânea. Eu canto também, toco percussão, computador e toys.
JR: O que são isso, toys?
Fernanda Farah: São coisinhas, muita gente toca, já é uma nova área de instrumentos. Cada um tem seus toys, desde o trompetista que tem os seus de colocar dentro do trompete até aquele que só toca os toys, e eu toco os toys com voz e performance, levanto, me mexo.
JR: Tu tem um grupo lá?
Fernanda Farah: Na verdade pode-se dizer que somos uma cena de música improvisada e arte de fronteira. Tem alguns clubs que nos unem, casas onde a gente se apresenta. Então a gente se troca. A vida na Europa é extremamente caseira, eu me sinto as vezes no interior, em uma metrópole como é Berlim.
JR: Tu foi lá pra estudar ou trabalhar?
Fernanda Farah: Meu namorado morava lá e eu passei 2 anos indo e vindo até me decidir mesmo, aprender a língua, porque eu era atriz de palavra, e teatro falado só posso fazer aqui, ou melhor só tenho interesse de fazer aqui, senão eu teria que me dedicar a falar alemão sem sotaque ou procurar o diretor certo.
JR: Pintam coisas na tua formação como Khatakali.Fernanda Farah: Essa é uma história interessante, porque era uma época que eu participava da Escola Internacional de Teatro do Caribe. Cada país que sedia a escola naquele ano decide quem vai ser os professores, neste ano eu tinha a opção de fazer Khatakali. Ele era esse ser que não se adapta no ocidente. E fiz na Nicarágua com o Bread and Puppet. Era menos pela coisa em si, mas pela situação geográfica, mas foi um Bread and Puppet fora de época porque acho que ele é meio datado, tinha que viver da maneira como as pessoas viviam, como camponeses. E aí preparamos algumas peças, e viajamos com um ônibus e um xilofone, de povoado em povoado.
JR: Como tu chegou no Thon Pain?
Fernanda Farah: O Felipe tinha me dito que o texto era lindo e seria bom eu fazer. Mas eu moro longe e sempre tenho que me adaptar. Aí, comprei o Thon Pain e adorei, o Lady Grey não era editado, mas eu confiei que seria lindo tanto quanto. É muito bem escrito e me interessou especialmente porque é sob o ponto de vista de uma mulher, e a questão é essencialmente humana, poderia ser feita por um homem também. Eu tinha lido Thon Pain e pensei, - putz lá vem no Lady Grey o ponto de vista da mulher- . Isso eu detesto em teatro, os papéis femininos pra mim é sempre de uma mulher numa situação que raramente carrega a questão humana. A primeira coisa da proposta dele é que a Lady Grey é uma atriz que não sabe fazer truques e eu achei isso sensacional. É isso que o Felipe me pediu: - você deve falar muito devagar e seja sincera o tempo inteiro. Eu quero absoluta primeira pessoa e que você seja a Lady Grey -.
JR: Esse teu pensamento e prática de performer e não de atriz tem tudo a ver com a Lady Grey, porque antes de qualquer coisa é o teu corpo, e chega ao ponto da nudez. Está tudo ali, eu fiquei encantado com o espetáculo. Acho ele muito refrescante em termos de linguagem por se apresentar do território, onde não há mais personagens, onde não há mais ação, onde a narrativa está totalmente espicaçada. Um território cheio de espaços, o público vai navegando pelos espaços oferecidos pelo performer.
Fernanda Farah: E é quase uma facada pro público ela ter esse espaço. Acho tão bonito que seja Thon Pain – Lady Grey, porque no Thon Pain ele tenta fazer um teatrinho e tenho a sensação quando chego no Lady Grey que o público já tendo experimentado o Thon Pain gosta de ser enganado, gosta desse acordo que a gente faz. Há momentos que são muito difíceis de fazer, como quando ela diz morram vocês. Ela é uma personagem que tem uma esquizofrenia própria, ambos são esquizofrênicos, e nela é mais sutil ainda. Pra mostrar que há esse personagem, mas ele faz essa confusão na narrativa épica porque há essa narrativa épica que é a linguagem do espetáculo o tempo inteiro. Veja bem há a personagem, mas não há. A pessoa pensa que é, e ele tira. Isso é o que eu fazia na minha performance e de repente eu li este texto onde isso está tematizado, escrito e pontuado.
JR: E o Felipe foi muito rigoroso quando ele te deixa ali no intervalo. É de uma solidão. De uma agressividade.
Fernanda Farah: Eu olho vocês todos. Pouquíssima gente suporta meu olhar. Eu sou o observador embora não seja. A gente recebeu uma carta tão linda de uma menina que assistiu aqui, e ela respondeu exatamente como alguém que foi olhado.
JR: É um espetáculo muito agressivo, construído em cima das afetividades. É a camisa do cara, não é o cara.Fernanda Farah: Eu tenho a sensação que a Lady Grey liga o foda-se, mas na verdade não ligou, no final ela está ruminando aquilo. Esse texto fala da falta de quando a gente não tem a coisa.
JR: Tu percebes a Lady Grey como destacada de ti, ou tu tens uma abordagem pessoal e performática ao mesmo tempo.
Fernanda Farah: Raramente tenho abordagens distantes, e sei também ser uma atriz com abordagem externa. Mas nesse caso é difícil, porque a personagem é uma atriz, que tem vergonha, e eu também sou uma atriz que tem vergonha. “Tenho paralisia, tenho problemas na cama. É a primeira personagem que fiz, eu sou uma falta, sou um ser cheio de buracos, vc também é? Pois é eu sou.” Ela diz que não há nada concreto, e nesse sentido eu me aproximo demais desse personagem.
Fernanda Farah: Comecei com o Esperando Godot. Ainda não se chamava Sutil, participei da re-montagem para o Rio. Depois do Godot o Estou te escrevendo de um país distante, e aí Sonho e Fúria e agora Thon Pain.
JR: Tu tens na tua formação coisas multidisciplinares. Tem Kathakali, tem Bread and Puppet, música contemporânea. Queria que tu falasses justamente disso, da tua formação e como essas pessoas te marcaram no teu crescimento como atriz.
Fernanda Farah: Comecei a fazer teatro muito cedo, com 12 anos. Fui pra São Paulo trabalhar com o Antunes Filho. Tinha uma hierarquia que me incomodava desde o princípio no teatro, porque eu tinha esse desejo de ser atriz, mas não gostava da palavra do diretor ser a final. Até os meus vinte e poucos, isso me fez fazer muito mais música por não suportar como é possível uma atriz criar alguma coisa sem que fosse na obra de outra pessoa. Comecei a fazer música e conhecer música contemporânea. E fui muito cedo pra Berlim, aos 23, e lá conheci pessoas que trabalham na fronteira das áreas, e consegui fazer um solo lá que também era nessa fronteira de áreas, música, performance. Os músicos que viam diziam que parecia teatro e as pessoas de teatro diziam música.
JR: A performance é maravilhosa por isso, é uma fronteira completamente selvagem entre as linguagens.
Fernanda Farah: É uma terra de ninguém. Comecei a vivenciar isso em Berlim, me sinto muito mais livre em outro língua, aí comecei a gostar de ser atriz de novo, e pedir pelo amor de Deus um texto pra eu ler.
JR: E lá em Berlim tu trabalhas basicamente com performance?E também com teatro musical, ópera contemporânea. Eu canto também, toco percussão, computador e toys.
JR: O que são isso, toys?
Fernanda Farah: São coisinhas, muita gente toca, já é uma nova área de instrumentos. Cada um tem seus toys, desde o trompetista que tem os seus de colocar dentro do trompete até aquele que só toca os toys, e eu toco os toys com voz e performance, levanto, me mexo.
JR: Tu tem um grupo lá?
Fernanda Farah: Na verdade pode-se dizer que somos uma cena de música improvisada e arte de fronteira. Tem alguns clubs que nos unem, casas onde a gente se apresenta. Então a gente se troca. A vida na Europa é extremamente caseira, eu me sinto as vezes no interior, em uma metrópole como é Berlim.
JR: Tu foi lá pra estudar ou trabalhar?
Fernanda Farah: Meu namorado morava lá e eu passei 2 anos indo e vindo até me decidir mesmo, aprender a língua, porque eu era atriz de palavra, e teatro falado só posso fazer aqui, ou melhor só tenho interesse de fazer aqui, senão eu teria que me dedicar a falar alemão sem sotaque ou procurar o diretor certo.
JR: Pintam coisas na tua formação como Khatakali.Fernanda Farah: Essa é uma história interessante, porque era uma época que eu participava da Escola Internacional de Teatro do Caribe. Cada país que sedia a escola naquele ano decide quem vai ser os professores, neste ano eu tinha a opção de fazer Khatakali. Ele era esse ser que não se adapta no ocidente. E fiz na Nicarágua com o Bread and Puppet. Era menos pela coisa em si, mas pela situação geográfica, mas foi um Bread and Puppet fora de época porque acho que ele é meio datado, tinha que viver da maneira como as pessoas viviam, como camponeses. E aí preparamos algumas peças, e viajamos com um ônibus e um xilofone, de povoado em povoado.
JR: Como tu chegou no Thon Pain?
Fernanda Farah: O Felipe tinha me dito que o texto era lindo e seria bom eu fazer. Mas eu moro longe e sempre tenho que me adaptar. Aí, comprei o Thon Pain e adorei, o Lady Grey não era editado, mas eu confiei que seria lindo tanto quanto. É muito bem escrito e me interessou especialmente porque é sob o ponto de vista de uma mulher, e a questão é essencialmente humana, poderia ser feita por um homem também. Eu tinha lido Thon Pain e pensei, - putz lá vem no Lady Grey o ponto de vista da mulher- . Isso eu detesto em teatro, os papéis femininos pra mim é sempre de uma mulher numa situação que raramente carrega a questão humana. A primeira coisa da proposta dele é que a Lady Grey é uma atriz que não sabe fazer truques e eu achei isso sensacional. É isso que o Felipe me pediu: - você deve falar muito devagar e seja sincera o tempo inteiro. Eu quero absoluta primeira pessoa e que você seja a Lady Grey -.
JR: Esse teu pensamento e prática de performer e não de atriz tem tudo a ver com a Lady Grey, porque antes de qualquer coisa é o teu corpo, e chega ao ponto da nudez. Está tudo ali, eu fiquei encantado com o espetáculo. Acho ele muito refrescante em termos de linguagem por se apresentar do território, onde não há mais personagens, onde não há mais ação, onde a narrativa está totalmente espicaçada. Um território cheio de espaços, o público vai navegando pelos espaços oferecidos pelo performer.
Fernanda Farah: E é quase uma facada pro público ela ter esse espaço. Acho tão bonito que seja Thon Pain – Lady Grey, porque no Thon Pain ele tenta fazer um teatrinho e tenho a sensação quando chego no Lady Grey que o público já tendo experimentado o Thon Pain gosta de ser enganado, gosta desse acordo que a gente faz. Há momentos que são muito difíceis de fazer, como quando ela diz morram vocês. Ela é uma personagem que tem uma esquizofrenia própria, ambos são esquizofrênicos, e nela é mais sutil ainda. Pra mostrar que há esse personagem, mas ele faz essa confusão na narrativa épica porque há essa narrativa épica que é a linguagem do espetáculo o tempo inteiro. Veja bem há a personagem, mas não há. A pessoa pensa que é, e ele tira. Isso é o que eu fazia na minha performance e de repente eu li este texto onde isso está tematizado, escrito e pontuado.
JR: E o Felipe foi muito rigoroso quando ele te deixa ali no intervalo. É de uma solidão. De uma agressividade.
Fernanda Farah: Eu olho vocês todos. Pouquíssima gente suporta meu olhar. Eu sou o observador embora não seja. A gente recebeu uma carta tão linda de uma menina que assistiu aqui, e ela respondeu exatamente como alguém que foi olhado.
JR: É um espetáculo muito agressivo, construído em cima das afetividades. É a camisa do cara, não é o cara.Fernanda Farah: Eu tenho a sensação que a Lady Grey liga o foda-se, mas na verdade não ligou, no final ela está ruminando aquilo. Esse texto fala da falta de quando a gente não tem a coisa.
JR: Tu percebes a Lady Grey como destacada de ti, ou tu tens uma abordagem pessoal e performática ao mesmo tempo.
Fernanda Farah: Raramente tenho abordagens distantes, e sei também ser uma atriz com abordagem externa. Mas nesse caso é difícil, porque a personagem é uma atriz, que tem vergonha, e eu também sou uma atriz que tem vergonha. “Tenho paralisia, tenho problemas na cama. É a primeira personagem que fiz, eu sou uma falta, sou um ser cheio de buracos, vc também é? Pois é eu sou.” Ela diz que não há nada concreto, e nesse sentido eu me aproximo demais desse personagem.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Entrevista com Guilherme Webber, meu velho, sou teu fã!
João Ricardo: Achei Thon Pain muito radical em termos de linguagem,e ao mesmo tempo remete a outros trabalhos que vocês fizeram como o Cartas para não mandar e o Ball – Babilônia. Depois de tantos espetáculos com encenações super flamboyant, Thon Pain Lady Grey chega numa crueza total, sem trilha sonora, apenas vocês indefesos na frente da platéia. Isso é uma retomada? É a depuração de uma linguagem? O que é Thon Pain Lady Grey?
Guilherme Weber: Thon Pain foi feito de maneira muito intuitiva, começou pela paixão pelo dramaturgo Will Eno. O Felipe descobriu um texto dele pela Internet quando estava vendo uma matéria sobre a montagem de uma peça chamada Temporada de Gripe em Londres, e encomendou o texto. O Felipe tem essa sede de conhecer coisas. Temporada de Gripe chegou num momento de crise da companhia, exatamente quando estávamos na sala de ensaio sem saber o que fazer e ficamos completamente apaixonados pelo texto. Quando você vê um Will Eno hoje é como se você estivesse assistindo um Godot ou um Becket na época em que ele escreveu. Consegue aliar conteúdo e linguagem de uma maneira muito precisa. Montamos Temporada completamente fascinados.O espetáculo fala de como a arte e o teatro são linguagens falidas quando se quer falar de verdadeiros sentimentos. Falida como novidade. Ele mistura tudo, a montagem começa a virar falência da arte, do dramaturgo, do diretor, dos atores interpretando, e isso acaba virando a falência dos personagens também. O Felipe conseguiu radicalizar isso na montagem, o tom realista dos atores ia sumindo e ia ficando muito neutro. A ponto de no final o elenco sair e não voltar pra agradecer os aplausos, aí o cenário caia inteiro.
João Ricardo: Acho que o Thon Pain está dentro de todas estas coisas, mas acho que para mim passa da falência, para mim é super refrescante em termos de linguagem.
Guilherme Weber: Acho que ele mostra tão bem a falência que ela acaba se tornando uma novidade. Acho que talvez ninguém tenha refletido tão bem sobre essa falência e sobre os recursos do teatro muito bem feitos.
JR: Estão todos ali, conceitos muito primais da linguagem cênica. Eu achei muito tocante, a idéia que expressa na dramaturgia e no cenário, da identidade das figuras destes personagens serem construídas através dos espaços da linguagem. Um homem construído entre os espaços do seu verbo. É a mesma coisa da construção do teatro não ser no ator e na platéia, mas no espaço. É radicalizado na encenação.
Guilherme Weber: Tanto que eu falei pro Felipe: - Cara não vai dar tempo pra decorar esse texto - e ele falou: - não tem problema - que eu poderia ler. Nesse espetáculo em especial não precisamos ter a preocupação em acabá-lo porque ele fala sobre isso. Sobre essa desconstrução. Optamos pelo monitor, e foi ótimo. Não sei uma palavra de cor. Compreendo o texto porque o estudei muito, mas ele corre no monitor o tempo inteiro.
JR: Vocês ensaiaram quanto tempo?
Guilherme Weber: Eu brinco que ensaiamos 14 anos. Porque acho que eu precisei ter minha carreira toda pra conseguir chegar a esse ponto. Tentar fazer o mínimo possível, manter um tom mais neutro possível e não me movimentar.
JR: E ao mesmo tempo é muito comunicativo
Guilherme Weber: Porque o Will realmente é um gênio. Acho, sem falsa modéstia que a Companhia conseguiu traduzi-lo muito bem no país. Porque os textos não são escritos para serem encenados assim. As rubricas do Will são outras, ele anda pela platéia, vai aqui e ali. Nos imobilizar em um foco de luz foi sugestão do Felipe. Quando saímos a coisa se torna mais íntima, mas a luz não acompanha. Will é tão habilidoso que as únicas indicações de interpretação que ele dá são as pausas, e como esses termos quando são respeitados funcionam. Ele definiu os 2 monólogos como stand-ups existencialistas.O Will veio pro Brasil assistir Temporada de Gripe com a Raquel, mulher dele na época, que foi pra quem ele escreveu a Lady Grey. É engraçado porque hoje eles não estão mais juntos, então a gente monta o espetáculo que fala sobre separação no momento que esse casal realmente se separou.
JR: É hiper teatral, porque na verdade a peça está falando sobre o ator.
Guilherme Weber: É o exercício primeiro de você tentar unir linguagem ao objeto. Pra ver se cola, e geralmente a criança vai pra cadeira, chorando ou só chorando um pouquinho, esquecendo as partes importantes. E no Thon Pain ele fica também se relacionando com temas de infância e sempre se colocando como narrador. O menininho com roupa de cowboy, que foi picado por abelhas. Até o ponto que ele fala, - um homem pensando - e fala o -homem sou eu, depois ele fala o homem e o menininho são a mesma pessoa.
JR: Tu já fizestes muitos personagens deste sentindo na trajetória da Sutil.
Guilherme Weber: Eles sempre são um pouco narradores e construindo sua vida, sua história. É a linha que a companhia seguiu quando começou a pesquisar as narrativas de memória. E aí inevitavelmente por eu ser um ator que fez praticamente todos os espetáculos da companhia, acabei ficando com essa característica.
JR: Como se dá o processo no laboratório de ensaio? Dessa construção dramatúrgica intertextual, cheia de referências?
Guilherme Weber: Acho que fazemos parte de uma geração que se comunica através de referências. O Felipe e eu somos amigos desde muito garotos. Crescemos juntos, conhecendo as coisas juntos, então temos as mesmas referências. Acabei me tornando uma espécie de líder de elenco por ser quem consegue traduzir todas as referências de criação do Felipe.
JR: Me descreve este processo.
Guilherme Weber: A companhia é um uma companhia de criadores, não de atores. Definimos isso a partir do momento que criamos o grupo em 1993. Temos uma companhia de criadores, onde a idéia é a estrela privilegiada. A partir disso chamamos os colaboradores que a gente precisar. As coisas sempre vieram nessa progressão e sempre inspiradas em referências.
JR: É só abrir o site de vocês, e tu estas ali, com o disquinho dos Smiths na mão. É minha banda predileta, e eu acho que os Smiths atendem a uma camada que nunca antes tinha sido atendida. Uma sensibilidade nostálgica, bissexual, suburbana, urbana. Muito contemporânea, cínica e solitária. E acho emblemático tu segurar o disco dos Smiths. Acho que o fascínio da Sutil é atender uma camada que os Smiths atendem.
Guilherme Weber: É tudo muito biográfico. Acho que talvez tenha sido a primeira expressão do sul do país no teatro, genuína, que traga essa melancolia, a estética do frio, essa nostalgia e o sentimento de exílio. Você é obrigado a pertencer a um país, que não dialoga com você. A estética do nordeste define a cultura nacional. E você tem um micro-país aqui no sul, muito urbano, nostálgico, andrógeno e tal e que nunca tinha se expressado de forma tão concreta.
JR: A vida é cheia de Som e Fúria é um turning point dentro da história da companhia.
Guilherme Weber: Em todos os sentidos. É o espetáculo que projetou a companhia, nos tirou do sul e colocou no eixo. Tornou a companhia independente financeiramente, definiu uma linguagem e os nossos parceiros. Mas agora temos muito mais necessidade de fazer espetáculos inéditos. Pegar esses traços biográficos que apareciam como flashes e tornar eles inteiros e únicos. Avenida Dropsie foi uma adaptação do Will Eisner, e é totalmente inédito. Você pode ter qualquer companhia do mundo montando Will Eisner, mas nunca vai chegar naquele estágio.
JR: Como foi a reação das pessoas ao Thon Pain Lady Grey? Porque isso dá uma sacudida no gosto tradicional.
Guilherme Weber: Claro que é uma platéia de festival, com muitos artistas. Eu não sei como funciona este espetáculo em temporada regular com público médio, e mesmo com quem acompanha a companhia que as vezes vem esperando um Som e Fúria. Nem todo mundo se abre pra outras coisas. Temos muitos espectadores que querem Som, querem Nirvana, querem Smiths. Mas está sendo fascinante. As pessoas saem no meio, estranham. Mas quem embarca realmente sai muito transformado.
JR: Quem está por trás da linguagem de interpretação da companhia? Qual é a leitura? Quem são os pais de interpretação de vocês?
Guilherme Weber: Vem tudo um pouco misturado, essas referências não se dividem muito. Vem tudo num caldeirão das coisas que a gente viu a vida inteira. Bergman, Pina Bausch, Tadeus Kantor, e os atores que faziam parte deste grupo todo. Eu como ator, acabei tendo minhas referências estéticas individuais. Teve uma época que a gente usou muito naturalismo. Muito Bergman. Tudo o que eu assisti de cinema mudo. E aí acho que tem um pouco da multiplicidade de referências da companhia e onde isso tudo se mistura numa assinatura, geralmente as referências são mais codificadas.
Guilherme Weber: Thon Pain foi feito de maneira muito intuitiva, começou pela paixão pelo dramaturgo Will Eno. O Felipe descobriu um texto dele pela Internet quando estava vendo uma matéria sobre a montagem de uma peça chamada Temporada de Gripe em Londres, e encomendou o texto. O Felipe tem essa sede de conhecer coisas. Temporada de Gripe chegou num momento de crise da companhia, exatamente quando estávamos na sala de ensaio sem saber o que fazer e ficamos completamente apaixonados pelo texto. Quando você vê um Will Eno hoje é como se você estivesse assistindo um Godot ou um Becket na época em que ele escreveu. Consegue aliar conteúdo e linguagem de uma maneira muito precisa. Montamos Temporada completamente fascinados.O espetáculo fala de como a arte e o teatro são linguagens falidas quando se quer falar de verdadeiros sentimentos. Falida como novidade. Ele mistura tudo, a montagem começa a virar falência da arte, do dramaturgo, do diretor, dos atores interpretando, e isso acaba virando a falência dos personagens também. O Felipe conseguiu radicalizar isso na montagem, o tom realista dos atores ia sumindo e ia ficando muito neutro. A ponto de no final o elenco sair e não voltar pra agradecer os aplausos, aí o cenário caia inteiro.
João Ricardo: Acho que o Thon Pain está dentro de todas estas coisas, mas acho que para mim passa da falência, para mim é super refrescante em termos de linguagem.
Guilherme Weber: Acho que ele mostra tão bem a falência que ela acaba se tornando uma novidade. Acho que talvez ninguém tenha refletido tão bem sobre essa falência e sobre os recursos do teatro muito bem feitos.
JR: Estão todos ali, conceitos muito primais da linguagem cênica. Eu achei muito tocante, a idéia que expressa na dramaturgia e no cenário, da identidade das figuras destes personagens serem construídas através dos espaços da linguagem. Um homem construído entre os espaços do seu verbo. É a mesma coisa da construção do teatro não ser no ator e na platéia, mas no espaço. É radicalizado na encenação.
Guilherme Weber: Tanto que eu falei pro Felipe: - Cara não vai dar tempo pra decorar esse texto - e ele falou: - não tem problema - que eu poderia ler. Nesse espetáculo em especial não precisamos ter a preocupação em acabá-lo porque ele fala sobre isso. Sobre essa desconstrução. Optamos pelo monitor, e foi ótimo. Não sei uma palavra de cor. Compreendo o texto porque o estudei muito, mas ele corre no monitor o tempo inteiro.
JR: Vocês ensaiaram quanto tempo?
Guilherme Weber: Eu brinco que ensaiamos 14 anos. Porque acho que eu precisei ter minha carreira toda pra conseguir chegar a esse ponto. Tentar fazer o mínimo possível, manter um tom mais neutro possível e não me movimentar.
JR: E ao mesmo tempo é muito comunicativo
Guilherme Weber: Porque o Will realmente é um gênio. Acho, sem falsa modéstia que a Companhia conseguiu traduzi-lo muito bem no país. Porque os textos não são escritos para serem encenados assim. As rubricas do Will são outras, ele anda pela platéia, vai aqui e ali. Nos imobilizar em um foco de luz foi sugestão do Felipe. Quando saímos a coisa se torna mais íntima, mas a luz não acompanha. Will é tão habilidoso que as únicas indicações de interpretação que ele dá são as pausas, e como esses termos quando são respeitados funcionam. Ele definiu os 2 monólogos como stand-ups existencialistas.O Will veio pro Brasil assistir Temporada de Gripe com a Raquel, mulher dele na época, que foi pra quem ele escreveu a Lady Grey. É engraçado porque hoje eles não estão mais juntos, então a gente monta o espetáculo que fala sobre separação no momento que esse casal realmente se separou.
JR: É hiper teatral, porque na verdade a peça está falando sobre o ator.
Guilherme Weber: É o exercício primeiro de você tentar unir linguagem ao objeto. Pra ver se cola, e geralmente a criança vai pra cadeira, chorando ou só chorando um pouquinho, esquecendo as partes importantes. E no Thon Pain ele fica também se relacionando com temas de infância e sempre se colocando como narrador. O menininho com roupa de cowboy, que foi picado por abelhas. Até o ponto que ele fala, - um homem pensando - e fala o -homem sou eu, depois ele fala o homem e o menininho são a mesma pessoa.
JR: Tu já fizestes muitos personagens deste sentindo na trajetória da Sutil.
Guilherme Weber: Eles sempre são um pouco narradores e construindo sua vida, sua história. É a linha que a companhia seguiu quando começou a pesquisar as narrativas de memória. E aí inevitavelmente por eu ser um ator que fez praticamente todos os espetáculos da companhia, acabei ficando com essa característica.
JR: Como se dá o processo no laboratório de ensaio? Dessa construção dramatúrgica intertextual, cheia de referências?
Guilherme Weber: Acho que fazemos parte de uma geração que se comunica através de referências. O Felipe e eu somos amigos desde muito garotos. Crescemos juntos, conhecendo as coisas juntos, então temos as mesmas referências. Acabei me tornando uma espécie de líder de elenco por ser quem consegue traduzir todas as referências de criação do Felipe.
JR: Me descreve este processo.
Guilherme Weber: A companhia é um uma companhia de criadores, não de atores. Definimos isso a partir do momento que criamos o grupo em 1993. Temos uma companhia de criadores, onde a idéia é a estrela privilegiada. A partir disso chamamos os colaboradores que a gente precisar. As coisas sempre vieram nessa progressão e sempre inspiradas em referências.
JR: É só abrir o site de vocês, e tu estas ali, com o disquinho dos Smiths na mão. É minha banda predileta, e eu acho que os Smiths atendem a uma camada que nunca antes tinha sido atendida. Uma sensibilidade nostálgica, bissexual, suburbana, urbana. Muito contemporânea, cínica e solitária. E acho emblemático tu segurar o disco dos Smiths. Acho que o fascínio da Sutil é atender uma camada que os Smiths atendem.
Guilherme Weber: É tudo muito biográfico. Acho que talvez tenha sido a primeira expressão do sul do país no teatro, genuína, que traga essa melancolia, a estética do frio, essa nostalgia e o sentimento de exílio. Você é obrigado a pertencer a um país, que não dialoga com você. A estética do nordeste define a cultura nacional. E você tem um micro-país aqui no sul, muito urbano, nostálgico, andrógeno e tal e que nunca tinha se expressado de forma tão concreta.
JR: A vida é cheia de Som e Fúria é um turning point dentro da história da companhia.
Guilherme Weber: Em todos os sentidos. É o espetáculo que projetou a companhia, nos tirou do sul e colocou no eixo. Tornou a companhia independente financeiramente, definiu uma linguagem e os nossos parceiros. Mas agora temos muito mais necessidade de fazer espetáculos inéditos. Pegar esses traços biográficos que apareciam como flashes e tornar eles inteiros e únicos. Avenida Dropsie foi uma adaptação do Will Eisner, e é totalmente inédito. Você pode ter qualquer companhia do mundo montando Will Eisner, mas nunca vai chegar naquele estágio.
JR: Como foi a reação das pessoas ao Thon Pain Lady Grey? Porque isso dá uma sacudida no gosto tradicional.
Guilherme Weber: Claro que é uma platéia de festival, com muitos artistas. Eu não sei como funciona este espetáculo em temporada regular com público médio, e mesmo com quem acompanha a companhia que as vezes vem esperando um Som e Fúria. Nem todo mundo se abre pra outras coisas. Temos muitos espectadores que querem Som, querem Nirvana, querem Smiths. Mas está sendo fascinante. As pessoas saem no meio, estranham. Mas quem embarca realmente sai muito transformado.
JR: Quem está por trás da linguagem de interpretação da companhia? Qual é a leitura? Quem são os pais de interpretação de vocês?
Guilherme Weber: Vem tudo um pouco misturado, essas referências não se dividem muito. Vem tudo num caldeirão das coisas que a gente viu a vida inteira. Bergman, Pina Bausch, Tadeus Kantor, e os atores que faziam parte deste grupo todo. Eu como ator, acabei tendo minhas referências estéticas individuais. Teve uma época que a gente usou muito naturalismo. Muito Bergman. Tudo o que eu assisti de cinema mudo. E aí acho que tem um pouco da multiplicidade de referências da companhia e onde isso tudo se mistura numa assinatura, geralmente as referências são mais codificadas.
segunda-feira, julho 17, 2006
ESTRÉIA DIA 21 DE JULHO, 20H NO ARENA! POP, DIRTY POP!

Chega um momento em que a minha cabeça se esvazia. Qualquer tentativa de comunicação verbal se torna descartável frente a rede complexa de comunicação que é um espetáculo de teatro. Esta é a minha interpretação da palavra fidelidade, ter optado pela criação de uma arte que tem na sua essência uma série de relações humanas objetivas, que propõe a dependência como regra, sem ela não existe o teatro. O diretor precisa ser aceito pelos atores, os atores precisam ser aceitos pelos seus colegas de cena e pela platéia. Este é apenas um dos pontos sublimes da arte teatral, a pluralidade e a dependência. Sem olho no olho, sem uma rede de pequenos acordos humanos o teatro deixa de existir. É também nestas relações em que reside muito do poder subversivo do teatro, antes de tudo estamos falando de homens que dependem de homens,vivos e diferentes, frente a frente, expostos as agruras do tempo e do espaço. Ai está a base do drama. Diferenças que se tocam. Falar no plural é o que nutre minha força de artista.
Associar minhas inquietudes a uma das figuras mais importantes da arte do Séc. XX, Andy Warhol é um passo em direção a alguma coisa que talvez chama-se maturidade. Ou apenas mudança de perspectiva. Até então sempre trabalhei com textos que apontavam para o homem em seu estado mais primitivo descarnado e atemporal. Extinção, primeiro trabalho “oficial” da Cia. Espaço em BRANCO pode ser considera o ponto de transição. Ali está de forma escancarada e procura por uma essência no entendimento das relações afetivas dentro de um núcleo familiar servindo como metáfora pesada da condição finita do homem, da cultura e do teatro. Mas já aparece no espetáculo a sujeira de referências POP, os personagens não são seres flutuantes num limbo de conceito, não, eles vão ao shopping, tomam remédios, vêem cinema e TV, ouvem rock and roll.
Quando li Andy/Edie me agarrei ao texto com a fúria de um guerreiro medieval. Ou com o frenesi de um dervishe. Percebi no texto do Diones o trampolim perfeito para começa a nadar em outras águas. Sair da caverna dos impulsos primitivos que tanto me fascinavam e começar a chegar na superfície. E na superfície está uma cultura organizada pela idéia de lucro e de produto. Está a idéia de consumo. Está o mar de imagens, clichês, sons, drama barato em que estamos mergulhados. Sem tentar bombardear nada e nem prega lições de moral como falar de cultura, de arte? A lição de Warhol me aprece mais do que essencial, devorar tudo, ressignificar, aceitar o lixo e trabalhar com ele. E se der certo, ainda ganhar uma boa grana com isso. ( o que me parece em Porto Alegre apenas utopia). A lição de cinismo de Warhol parece uma via boa de ação dentro deste cenário. O olhar cínico não julga, revela as relações se apropriando delas. Falar de Warhol é também prestar a devida homenagem ao mestre. Filho de imigrantes, pobre, gay, tímido “freak” por excelência Warhol tinha o kit completo para ser esmagado dentro da cultura norte-americana dos anos 60. Mas subverteu tudo se expondo, começando pelo próprio corpo e nome até chegar um todos os meios de comunicação que pudesse, cinema, tv, artes plásticas, performance, festas, literatura, etc. Ao se expor ele expôs toda a complexidade, o paradoxo da contemporaneidade. Tiveram que engolir Andy Warhol com peruca e tudo. Aqui, ele será nosso banquete.
É com prazer que trazemos, trazemos pois falo em nome da Cia. Espaço em BRANCO, este nosso segundo espetáculo.
Dedico o espetáculo a cada pessoa que participou do projeto de elaboração do mesmo, a cada mente criadora que ergueu este espetáculo, esta ação.
Dedico em especial aos meus amigos, atores: Rodrigo, Lisandro, Sissi, Xanda, Michel e a Rave. É uma dedicatória um pouco estranha, já que na real, o espetáculo é deles.
João Ricardo
Teatro de Arena, Inverno de 2006
sexta-feira, julho 07, 2006
ANDY/EDIE

ANDY/EDIE
(Prêmio Funarte de Dramaturgia 2005)
Estréia: Julho, dia 21, às 20h
temporada: sextas, sábados, domingos e segundas
até di 04 de setembro
Teatro de Arena - PortoAlegre
FAMA, GLAMOUR, VAIDADE E MORTE
Nova York, 1965.O artista pop ANDY WARHOL conhece EDIE SEDGWICK, uma garota de apenas 22 anos, linda, rica, amiga de celebridades e possuidora de algo que foi definido por ele como "Glamour Elétrico". Nesta mesma época Edie mantinha uma relação conturbada com o jovem músico BOB DYLAN, que não fazia questão de esconder seu desprezo por Andy e seu desagrado pela amizade entre a jovem modelo e o mestre da POP ART.Este foi o contexto para uma das temporadas mais loucas e cruéis que se tem notícia na história da cultura Contemporânea.
ANDY/EDIE
Dir: João Ricardo
Texto: Diones Camargo
Elenco:Sissi Venturin
Rodrigo Scalari
Lisandro Bellotto
Alexandra Dias
Michel Capeletti
Ravena Dutra
Produção: Daniel Gabardo
Dir: João Ricardo
Texto: Diones Camargo
Elenco:Sissi Venturin
Rodrigo Scalari
Lisandro Bellotto
Alexandra Dias
Michel Capeletti
Ravena Dutra
Produção: Daniel Gabardo
terça-feira, janeiro 10, 2006
Ano de saudade de alguém que eu nunca vi.
Um dia existia neste país um homem-coração. Um dia ele morreu, mas o coração ficou batendo por ai. No ano de 10 anos de falta deste homem, um conto dele, cheio de sangue, como tudo o que ele escreveu.
Um beijo na alma do Caio!
Zero Grau de Libra (Caio Fernando Abreu)
Sobre todos aqueles que continuam tentando, Deus, derrama teu Sol mais luminoso.Caio Fernando Abreu
O Sol entrou ontem em Libra. E porque tudo é ritual, porque fé, quando não se tem, se inventa, porque Libra é a regência máxima de Vênus, o afeto, porque Libra é o outro (quando se olha e se vê o outro, e de alguma forma tenta-se entrar em alguma espécie de harmonia com ele), e principalmente porque Deus, se é que existe, anda distraído demais, resolvi chamar a atenção dele para algumas coisas. Não que isso possa acordá-lo de seu imenso sono divino, enfastiado de humanos, mas para exercitar o ritual e a fé - e para pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal.
Nesse zero grau de Libra, queria pedir a isso que chamamos de Deus um olho bom sobre o planeta terra, e especialmente sobre a cidade de São Paulo. Um olho quente sobre aquele mendigo gelado que acabei de ver sob a marquise do cine Majestic; um olho generoso para a noiva radiosa mais acima. Eu queria o olho bom de Deus derramado sobre as loiras oxigenadas, falsíssimas, o olho cúmplice de Deus sobre as jóias douradas, as cores vibrantes. O olho piedoso de Deus para esses casais que, aos fins de semana, comem pizza com fanta e guaraná pelos restaurantes, e mal se olham enquanto falam coisas como: "você acha que eu devia ter dado o telefone da Catarina à Eliete? – e outro grunhe em resposta.
Deus, põe teu olho amoroso sobre todos que já tiveram um amor, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Derrama teu olho amável sobre as criancinhas demônias criadas em edifícios, brincando aos berros em playgrounds de cimento. Ilumina o cotidiano dos funcionários públicos ou daqueles que, como funcionários públicos, cruzam-se em corredores sem ao menos se verem – nesses lugares onde um outro ser humano vai-se tornando aos poucos tão humano quanto uma mesa.
Passeia teu olhar fatigado pela cidade suja, Deus, e pousa devagar tua mão na cabeça daquele que, na noite, liga para o CVV. Olha bem o rapaz que, absolutamente só, dez vezes repete Moon Over Bourbon Street, na voz de Sting, e chora. Coloca um spot bem brilhante no caminho das garotas performáticas que para pagar o aluguel dão duro como garçonetes pelos bares. Olha também pela multidão sob a marquise do Mappin, enquanto cai a chuva de granizo, pelo motorista de taxi que confessa não ter mais esperança alguma. Cuida do pintor que queria pintar, mas gasta seu talento pelas redações, pelas agências publicitárias, e joga tua luz no caminho dos escritores que precisam vender barato seu texto-olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer e não a que são, e viver outra vida se não a que vivem.
Não esquece do rapaz viajando de ônibus com seus teclados para fazer show na Capital, deita teu perdão sobre os grupos de terapia e suas elaborações da vida, sobre as moças desempregadas em seus pequenos apartamentos na Bela Vista, sobre os homossexuais tontos de amor não dado, sobre as prostitutas seminuas, sobre os travestis da República do Líbano, sobre os porteiros de prédios comendo sua comida fria nas ruas dos Jardins. Sobre o descaramento, a sede e a humildade, sobre todos que de alguma forma não deram certo (porque, nesse esquema, é sujo dar certo), sobre todos que continuam tentando por razão nenhuma – sobre esse que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões.
Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio - Não. Derrama sobre elas teu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada. Que no zero grau de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse zero grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.
Caio Fernando Abreu, n'O Estado de S. Paulo, 24/09/86.
Um beijo na alma do Caio!
Zero Grau de Libra (Caio Fernando Abreu)
Sobre todos aqueles que continuam tentando, Deus, derrama teu Sol mais luminoso.Caio Fernando Abreu
O Sol entrou ontem em Libra. E porque tudo é ritual, porque fé, quando não se tem, se inventa, porque Libra é a regência máxima de Vênus, o afeto, porque Libra é o outro (quando se olha e se vê o outro, e de alguma forma tenta-se entrar em alguma espécie de harmonia com ele), e principalmente porque Deus, se é que existe, anda distraído demais, resolvi chamar a atenção dele para algumas coisas. Não que isso possa acordá-lo de seu imenso sono divino, enfastiado de humanos, mas para exercitar o ritual e a fé - e para pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal.
Nesse zero grau de Libra, queria pedir a isso que chamamos de Deus um olho bom sobre o planeta terra, e especialmente sobre a cidade de São Paulo. Um olho quente sobre aquele mendigo gelado que acabei de ver sob a marquise do cine Majestic; um olho generoso para a noiva radiosa mais acima. Eu queria o olho bom de Deus derramado sobre as loiras oxigenadas, falsíssimas, o olho cúmplice de Deus sobre as jóias douradas, as cores vibrantes. O olho piedoso de Deus para esses casais que, aos fins de semana, comem pizza com fanta e guaraná pelos restaurantes, e mal se olham enquanto falam coisas como: "você acha que eu devia ter dado o telefone da Catarina à Eliete? – e outro grunhe em resposta.
Deus, põe teu olho amoroso sobre todos que já tiveram um amor, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Derrama teu olho amável sobre as criancinhas demônias criadas em edifícios, brincando aos berros em playgrounds de cimento. Ilumina o cotidiano dos funcionários públicos ou daqueles que, como funcionários públicos, cruzam-se em corredores sem ao menos se verem – nesses lugares onde um outro ser humano vai-se tornando aos poucos tão humano quanto uma mesa.
Passeia teu olhar fatigado pela cidade suja, Deus, e pousa devagar tua mão na cabeça daquele que, na noite, liga para o CVV. Olha bem o rapaz que, absolutamente só, dez vezes repete Moon Over Bourbon Street, na voz de Sting, e chora. Coloca um spot bem brilhante no caminho das garotas performáticas que para pagar o aluguel dão duro como garçonetes pelos bares. Olha também pela multidão sob a marquise do Mappin, enquanto cai a chuva de granizo, pelo motorista de taxi que confessa não ter mais esperança alguma. Cuida do pintor que queria pintar, mas gasta seu talento pelas redações, pelas agências publicitárias, e joga tua luz no caminho dos escritores que precisam vender barato seu texto-olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer e não a que são, e viver outra vida se não a que vivem.
Não esquece do rapaz viajando de ônibus com seus teclados para fazer show na Capital, deita teu perdão sobre os grupos de terapia e suas elaborações da vida, sobre as moças desempregadas em seus pequenos apartamentos na Bela Vista, sobre os homossexuais tontos de amor não dado, sobre as prostitutas seminuas, sobre os travestis da República do Líbano, sobre os porteiros de prédios comendo sua comida fria nas ruas dos Jardins. Sobre o descaramento, a sede e a humildade, sobre todos que de alguma forma não deram certo (porque, nesse esquema, é sujo dar certo), sobre todos que continuam tentando por razão nenhuma – sobre esse que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões.
Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio - Não. Derrama sobre elas teu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada. Que no zero grau de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse zero grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.
Caio Fernando Abreu, n'O Estado de S. Paulo, 24/09/86.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Cidade baixa é um elogio ao amor. (A must see)
O cinema brasileiro está bem, obrigado. Realmente nós coneguimos sair do poço tecnológico e finenceiro que nos separava apenas por questões de orem geográfica, histórica e econômica da produção mais conscistente cinematograficamente falando. Tá, tudo bem, não sou estudante de cinema tão pouco cineasta, não todos os marginais, vi um Glaubber e meio apenas (genial aliás, o Terra em Transe), mas tenho a nítida sensação que, apartir de "Central do Brasil", do Walter Salles, o cinema brazuca entrou numa nova onda. (nouvelle vagueee , não não) Os filmes passam no cinema, são feitos em quantidades maiores, as pessoas vão, dá orgulho por que é bem feito e geralmente são profundos, e enfim, me ufano de alguns filmes que vi desta nova safra.
Pois bem, o Walter Salles está envolvido no filme que vi ontem, o ótimo "Cidade Baixa", filme de estréia do diretor baiano Sérgio Machado, mas como produtor. Aliás, outro nome reconhecível na parte da estrutura fílmica é a KArin Ainuz, que escreveu com Sérgio o roteiro e é diretor do não menos bom "Madame Satã".
O longa é protagonizado por Wagner Moura, Lázaro Ramos e Alice Braga. Wagner e Lázaro fazem o papel de dois amigos de infância que tem um barco, e vivem de fretes ocasionais entre cidades do interior da Bahia e a cidade de São Salvador. Numa destas cidadezinhas ele encontram o persoangem qe Alice faz, uma menina, prostituta, que está precisando de carona para ir para Salvador ganhar uns pilas "com os gringos", uma trabalhadora do tão coenhcido turismos exual brasileiro. Carona acertada não sem antes uma breve e engraçado diálogo onde eles debatem o valor de um possível programa com ela, descontando o valor da carona. Deste encontro fortuíto nasce uma paixão incontrolável entre ela e os caras. Ah tenhoq ue dizer que os atores são FANTÁSTICOS. Lázaro ramos está se afirmando como um dos emlhores atores de cinema da atualidade. o Wagner também. Mas o negão me hipinotiza nas telas, tem um olhar profundíssimo, trasborda alma. A menina eu nunca tinha visto e é uma boa atriz.
Um dos princpais méritos do filme é a quebra de paradigmas que ele propõe. E não são poucos. Posso começar falando sobre o julgamento social dos personagens. O diretor se sai muito bem, mostrado estes caras à deriva, mas que não são bons nem maus, são apenas jovens vivendo em condições precárias, e se divertindo, e trabalhando e tentando afzer coisas diferentes. Crime e violência não aparecem no filme como sendo da "natureza" destas pessoas, mas como circunstâncias que acabam acontecendo quase que randomicamente. Exemplo disso é que na falta de grana que ocorre em Salvador por que não estão rolando fretes, um dos personagens rouba uma farmácia e outro comça a ltar box de fundíssimo de quintal. E o que é um ganho no roteiro, é que estes eprsionagens apesar de estarem "à margem" da classe média, tem opções e optam, e não agem como marionetes de um destino social.
Mas este cenário social é apenas um ponto. O mais forte diz respeito ao coração da trama: triângulo amoroso entre este personagens. Aliás, o filme gira em torno disso, como o amor vai se estruturando de uma forma não romântica. As pessoas começam a trepar. As pessoas começam a querer trepar novamente. As pessoas acabam pensando muito no alvo da trepada. As pessoas começam a cuidar das outras depois da trepada. As pessoas começam a cuidar e se aproximar uma das outras antes e depois das trepadas. E é isso que ocorre. Os personagens começam a dependem afetivamente um dos outros. E isso é msotrado genialmente em duas imagens chave do filme, uma na sequencia inicial e outra na sequencia final. Vamos a elas:
Sequencia inicial: Durante a ida para salvador o trio para numa rinha de galo. Rola uma briga e um dos caras leva uma facada, o outro quebra uma garrafa e acaba com o cara que deu a facada. OS caras volam para o braco, um esta gravemente ferido, a garota está aprtindo de carona mas decide ficar para ajudar. E no barco eis a imagem fundamental. Um amigo cuidando do outro, e ela junto, cuidando também. Na sequencia final que é absolutamente emocionante, o doretor espelha esta imagem. Agora o conflito está entre os dois amigos, ambos querem a garota, ambos estão no topo do desespero afetivo, e brigam a socos pelas ruas de Salvador. Vão brigando pela Cidade baixa, rolando pelas escadarias e ruelas, se batem de maneira animal. A gente vê pelos olhos dos atores a intensidade de ser uma briga de irmãos. De ser uma briga movida por sentimentos imensos de amizade e paixão, o que torna algo tão violento quase doce, vemos os meninos amigos por trás dos olhos dos homens enfurecidos. Vemos a amizade ferida pela idéia de traição, algo que reside profundamente no imaginário masculino, a parceria sem limites.
Depois se se baterem eles saem sem rumo pela cidade, sangrando por dntro e por fora. Para onde ir? Qual o pinto em comum? Qual o porto seguro onde les devem desembarcar? Eles vão par a garota. Primeiro um. O Wagner, ele chega, ele sentase na cama e ela com um pano mohado em uma abcia começa a cuidar dos feriemntos dele. Depois chaga o Lázaro, senta-se do lado do seu irmão e ela começa a limpá-lo tambem. Eles se olham. Olhos explodindo de choro contido, choro de macho. Ela vai impando ambos e começa a chorar também. A bacida de águá límpida vai ficando vermelha. o filme acaba ai. Não preciso dizer que é lindo e humano. Ao invés de incorrer no clichê de destruição absoluta o diretor aponta uma via afetiva. Quebra a nossa cara e a nossa perspectiva moralmente viciada de que um trio acaba em tragédia. Quebra a nossa viciada visão de que pobre é burro e violento. Quebra a nossa visão de mal e bem. Isso não está em jogo. Está em jgo hmanidade e sentimento. Está em jogo amor fraterno e amor carnal. Que são muito parecidos. Não existe o que fazer. Uns dependem dos outros, os elos que os ligam são de carne e sangue. Fica o gosto perplexo de que as ações humanas não podem ser julgadas por vias apenas racionais, ou vias viciadas em modelos moreias antiquados. Que existem espaços na afetividade que vão contra todos os modelos. O filme é explêndido por mostrar isso de maneira tão cristalina. É um elogio ao amor (seja lá o que esta palavra queirar dizer).
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Noiva Cadáver é para garotos qeu não acharam o bilhete dourado do sr. Wonca
eu vi a Noiva Cadáver. É a volta por cima do Burton depois daquele filme insoso sobre chocolates e uma moral devastadora e fora de moda. Todos sabemos que o mal vence na mesma quantidade que o bem vence, até mais, e que sucesso e infortúnio não tem a ver com limpeza de caráter. Mas a historinha do filme dos chocolates acaba nisso, bom ganha mau se fode. Eu sempre fui uma criança blasè, não gostava de brincar com os meninos, era tudo muito físico e violento, eu gostava é de covnersar. conversar com as meninas. ou com os outros meninos como eu. os nerds. e nem por isso ganhei nada. e aliás, acho que os meninos que brincavam de se socar ou de correr devem ter ganho mais pois viraram caras de corpo forte, machos Alfa, que conquistam outros machos e fêmeas. Eu não. Minha vitória é torta e perplexa. Apesar de eu, quando pequeno, ter sido parecido com o menino magrela da fábrica de chocolates. E isso se repete até agora, adulto, o bilhete dourado se transformou em carreira, em relacionamento, em corpo, em sexo, em dinheiro. E possoa afirmar que os garotos magros passam mais trabalho para ver seus sohos brilhando .
Voltado a Noiva Cadáver. è um belo filme. Logo no começo vemos o personagem principal desenhando uma borboleta que está presa num recipiente de vidro. Ela desenha a borboleta, adquire para si a experiência concretizada de ter se relacionado com uma borboleta, o desenho, e depois a solta. A borboleta segue voando pela cidade e nos mostra um mundo frio, desprovido de sentimentos, cinza, onde pessoas feias e rabugentas exercem seus cotidianos. Um mundo thanático, um mundo morto. Ironicamente este mundo é o mundo dos VIVOS.
Vitor vai ser casado com uma menina de uma família com tradição burguesa, enquanto ele é apenas filho de uma família de novos ricos, sem tardição nos altos círculos da granfinagem O casamento é bom para as duas famílias, para a de Vitor, agrega o sobrenome famoso e tradicional da outra família, o que libera todo um status. para a fampília de Vitória, a menina, o casamento vem para sanar uma decadência financeira abrasadora. Bom para as duas partes, lá vão eles se casar. Vitor e vitória nãos e conehcem epssoalmente, e acabam, numa tocante cena ond eele toca piano, conehcendo a menina, ambos ficam apaixonados, um risquinho de vida se ascende neste cenário desolador. No ensaio tudo dá errado pois Vitor não consegue dizer as palavras, o voto de casamento. Ele sai fora, tentando lembrar as frases, e, no meio de uma floresta, diz seu voto de casamento justamente em cima do lugar onde uma noiva a muitos anos assassinada jaz, o que faz com que ela acorde e o aceite como esposo. Mas ela esta MORTA.
Ela o leva para a terra dos mrotos, um lugar algre e festivo, é interessantíssimo perceber o pensamento gótico do diretor emr elação a morte e a vida. A morte que eles nos apresenta é mutio mais a ver com um mundo de imaginação do que com a morte biológica prop´riamente dita. A mrote em "A noiva cadáver" me aprece muito mais uma metáfora do que pode esta além do cotidiano nbanal: a imaginação, a capacidade humana de narrar coisas, de inventar. Mas o coflito está armado. Jovem vivo esta sendo seduzido pelo mundo da morte. E sim, ele vai se deixando levar pois a Noiva CAdáver é cheia de sentimentos. E estabelece com ele um elo realmente afetivo. Mas para que ele e a novia cadáver realmente se unam na eternidade ele deve adicar de seu maior bem, a vida.
Enfim, nã vou narrar tudo, mas no final Vitor volta para os braços da sua amada viva e terrena, e, depois de desmascarar o cara que tinha assassinado a noiva, e que tinha deixado ela nesta pendenga eterna de estar procurando um marido, ela, a noiva cadáver se liberta, trasnformando-se em um furacão de borboletas que se expande em direção ao espaço. è bonito perceber que mesmo frente a realidde mrota do di a dia, Vitor decide encarar a vida, escolhe a sua própria vida, escolhe encarar a ralidade e o seu tempo, escolhe não se jogar de cabeça no undo da noiva cadáver, o qeu seria muito mais fácil. As vz a gente não pensa em dar um basta? Burton, creio eu, tambem está falando sobre escolhas drásticas. Entre estar vivo e sofrer as cosnequencias ou... Vcs sabem.
Não preciso dizer que eu chorava como uma criança no cinema. Não preciso dizer que o Burton atende uma demanda de espectadores adultos com alma de criança, alma de criança nerd e gótica. A noiva é um conto de fadas às avessas, um conto de amor moderninho, para garotos magros que não acharam ainda o bilhete dourado do Sr. Wonca. Para garotos sempre seduzidos pela noiva cadáver, mas que ainda reúnem forças para buscar um amor e identidade aqui em cima, no mundo real.
quarta-feira, novembro 02, 2005
Individuos-Sociedades
estou no meio de um quarto escuro que não é dark-room. Cercado por 5 telas onde são projetados simultaneamente vídeos, é a videisntalação da Marina Abramovic. O tempo e as ações que são mostradas no videos são "montadas" pelo olhar do espectador, já quetu não pode ver tudo a mesmo tempo. Na verdade ela guia nosso olhar colocando um foco de ação mais forte em um vídeo de cada vez, fazendo que os entido seja construido em ação e aos poucos.
A obra mostra um coro de crianças do leste europeu cantando uma canção sorbe as "nações unidas", sendo conduzidadas por outra criança que tem duas caverias completas grudadas ao seu corpo. No tela que fica espelhando esta, vemos uma grande estrela formada pelas mesmas crinaças, e com a criança caveira no centro. Na parede lateral temos duas telas, numa um menino e na outra uma menina, mostrados em close. E finalmente na tela que espelha esta temos a própria Abramovic segurando uma lâmpada fluorescente perto de dois geradores de eletricidade.
É necessária esta breve exlicação do que é mostrado em cada tela para que possamos fazer relações. Abramovic lida com o conceito de coletividade e individualidade. Temos em dois vídeos formações que só são possíveis com o empenho de todos, o canto em coro e a "escultura viva" da estrela no chão. Opondo isso temos os indivíduos mostrados em telas separadas, um garoto, uma garota e a artista. Enquanto o coro canta unido, as vezes, o garoto e a garota começam a cantar uma musiqinha tradicional do leste europeu. E na tela da artista, de vez em quando uma corrente elétrica passa entre os geradores, acaba ligando a lâmpada que ela segura nas mãos. Me passa pela cabeça que o homem é grupo, é social e é indivíduo. O homem canta em coro mas o coro é apenas a união de diversas vozes individuais, cada uma com seu sexo, sua história, seus sonhos e pesadelos. Essa reflexão vem diretamente da imagem da caveira que ela usa como centro dos dois movimentos coletivos, a caveira é o centro da estrela e é o maestro do coral. Pra mim este signo acresce de alma a obra, já que temos em si a consiência da finitude da homem e sim, da sociedade humana.
E o tela que msotra a Abramovic? Bom, a ação que ali ocorre é uam ação de "catalização". A artista segura a lâmpada, que acende quando a energia passa. me aprece que abramovic tem consiência que o artista também é o catalizador das tensões invisíves que ordenam o homem. O corpo doa rtista, sua visão e sensibilidade devoram o mundo para depois o devolver "remixado" em forma de obra.
Pode ser tudo isso. Mas pode também não ser. Este foi apenas o reflexo mais ou menos consciente que eu, observador, tive em relação a obra. Foi o eco da corrente elétrica que passou pelo meu corpo enquanto eu estava em contado com a videoisntalação.
Mas a obra está aberta, só como expemplo, podemos ver uma ponderção bastante direta a o que representa a idéia de estado versuas indivíduo. Eles cantam uma música sobre as nações unidas. Regidos pela morte. Formam uma estrela endo como centro a morte. Cabe lembram que a estrela é o simbolo da união européia. Que morte cultural será que Abramovic aponta colocano seu canto Russo em relação a união européia? Qual a relação das cantigas indicviduais, tradicionais, folclórias russas com este todo formado por uma organização maior? Será que Abramovic também está falando dos pesos e medidas culturais , de perdas e ganhos que envolvem quando uma cultura se hibridiza com outras? Será que também mostra que um ideal de "mundo unido" não passa pela preservação da identidade única e intrasferível de cada cultura, de cada povo, de cada homem como indivíduo com começo meio e fim?
domingo, outubro 30, 2005
You're just looking for love. You're very
emotional, and a lot of sad teenagers are going
to turn to you when they feel like shit.
You're also into BDSM, you devil, you.
What band from the 80s are you?
brought to you by
sábado, outubro 22, 2005
Chuva de puta que pariu.

Associada a nossa tradicional falta de público, fenômeno de apatia e burrice da classe média consumidora de teatro, temos nesta tempoada de extinção um novo detalhe maravilhoso: a chuva.
Este é o terceiro fim de semana que chove em porto alegre. E não é uma chuva comum, não, é uma chuva especial, ela só começa sexta feira ali perto das 20h, quando as pessoas que estavam querendo ir ao teatro coemçam a sair de casa e dura até domingo a noite. Depois, segunda feira, tudo volta a ficar ensolarado e legal. Este é o terceiro fim de semana que isto acontece. Estou bem contente com isso. Isso dá mais energia para trabalhar, é ótimo sair de casa e ir levantar o cenário, sendo refrescado no caminho por estas chuvas de primavera. Eu diria que é o apoio institucional da Natureza para o teatro portoalegrense. Pelo menos ainda não está chovendo fogo & enxofre.
Este é o terceiro fim de semana que chove em porto alegre. E não é uma chuva comum, não, é uma chuva especial, ela só começa sexta feira ali perto das 20h, quando as pessoas que estavam querendo ir ao teatro coemçam a sair de casa e dura até domingo a noite. Depois, segunda feira, tudo volta a ficar ensolarado e legal. Este é o terceiro fim de semana que isto acontece. Estou bem contente com isso. Isso dá mais energia para trabalhar, é ótimo sair de casa e ir levantar o cenário, sendo refrescado no caminho por estas chuvas de primavera. Eu diria que é o apoio institucional da Natureza para o teatro portoalegrense. Pelo menos ainda não está chovendo fogo & enxofre.
:)
Bienal em alguns ecos.
E gosto de artes plásticas. Já trabalhei quase um ano na feliz tarefa de ser "mediador" no Santander Cultural. Foi uma experiência ótima. Naquela época comecei a construção de um pensamento formal e plástico, comecei uma reflexão no papel da imagem no teatro e no mundo. Artes plásticam exercem uma fascínio em mim. Mas geralmente acho o contato com o objeto de arte, frio. Raramente me emociono. Minha apreciação costuma ser absolutamente intelectual e de deleite estético. Mas isso não é algo ruim, já que apenas algumas linhas da arte querem realmente travar um contato emocional com o espectador. Na maioria dos casos, pricipalmente falando dos pós concretos e nos concretos, nos abstracionistas geométricos etc... a emoção é vista como um monstro. Eles nos oferecem uam arte seca e dura, lógica e formal.
A 5ª Bienal do Mercosul, desde o logotipo até a curadoria das exposições, dá atenção aos concretos, e aos neo-concretos. Fui vê-los e digo, para mim todo o movimento só me dá bocejos. Fui no Santander dar uma olhada na exposição, que tem um caráter meio "histórco".A reflexão sobre forma e contraforma, espaço, figura e fundo etc parece deslocado em um mundo que , se pensarmos bem, é prenhe de perplexidade, som e fúria. E está deslocado mesmo. Poucos, hoje em dia, se dedicam a sta corrente estética. Minha impressão é que o objeto artístico que trabalha com estas questões não passa de algo"interessante"e que ficou relegado a uma vanguarda que hoje é "histórica", apenas. (apesar de as esculturas do Amílcar de CAstro que estão colocadas em frente ao mercado público incitarem um belo diálogo entre o peso da arte, que se pretende atemporal e acultural, com a movimentação louca dos transeuntes e ambulantes do centro, que estão usando elas como um bom meio de se proteger do sol).
Parte dois: INSTALANDO EM MEIO AOS LOBOS
Depois que sai do Santander fui dar uma olhada no Cais do Porto, lá temos quatro núcleos da Bienal: O da escultura à isntalação. A persistência da Pintura, artista homenageado ( o Amilcar de Castro)e a "exposição especial".
Vou dizer em rápidas palavras que na parte de esculturas e istalações pouca coisa me pareceu realemnte boa. Destaco o trabalho de um mexicano que eu não lebro o nome e que o site da bienal não me ajudou a recordar já que nele só é citado os nomes dos artista sem imagens das obras. Um saco. Ele faz uma isntalçação absolutamente pop e colorida. Luz e plástico. É quase um cenário de lego, feito de objetos formados por contas de plástico coloridas e traslucidas. Nela temos um casal deitado em meio a um artificial e cartoonesco jardim com cogumelos e flores coloridíssimas. Esta casal deitado no jardim me remeteu direamente ao casal primordial bíblico. É interessantqe que o artista faz um contraponto com a apartente palsticidade e inocência das formas e das cores que usa para a contrução da imagem, com um som de selva "real", onde lobos uivam ao longe. Dá para pensar no conflito entre imagem e realidade. Dá para pensar que no "jardim do édem" existe um dedo de terror. Dá para pensar que o belo gurada a semente do feio, que o inocente guarda o violento e aterrador.
Gostei também do cadáver de chocolate que é oresquício de uam eprformance de outro mexicano. Na performance que pude ver em vídeio, el, caracterizado como aquelas figuras tradicionais de caveira mexicana, parte com um facão um dos corpos de chocolate e os divide com o úblico. Ele está com uma cueca que cita a bandeira norteamericana e limpa a boca com um guardanapo norteamericano também. isso eu acho, em verdade uma diminuição conceitual do seuprórpio trabalho. Ele quer falar de exploração das américas, das riquezas devoradas pelos ditos paises do "primeiro mundo". Ma eu tive uma relação bem mais arcaica com a obra. Estar frent a frente a um corpod e humem, relisticamnte esculpido emc hocolate me provocou ecos de antropofagia. É sedutor o corpo nú, é sexual, o cheiro forte do choclate convida que que tenhamos vontade de lambê-lo, tocá-lo. Mas ele reprsenta um corpo morto. E aparce então o desconforto do brilho da necrofilia, de canibalismo. Ao mesmo tempo, a relação do observador e arte, que muita vezes não passa de uma relação de "fagia", comer a obra simplesmente e não, se relacionar com ela.
Exemplo bom disso, é que no dia que neste mesmo dia, a alta cúpula financeira e administradora do Santander Cultural estava fazendo uma aerada visita a esta exposição. Estavam em ando, muito faceiros e interessados. E com alguns fotógrafos em volta. E gente cortejando. ME deu nojo ver aquilo. A relação com as obros sendo epenas uma brecha para o exercício das vaidades. Eles não estvam vendo, estavam vendo para serem vistos, gente de coluna social, um lixo. Predadores, quem sabe os lobos que rondam o edem da instalação que falei.
Parte três: A PINTURA PERSISTE.
A parte da pintura começa com os abstracionistas, mais geométricos, mais formais, e depois vai para os caras menos comportados. Na parte dos que investigam a materialidade da pintura em si, o valor das cores, do gesto pictórico, ds formas, as texturas etc... nada me ecnantou. Acho tudo, como disse antes, bonito e interessante. Mas beleza e curiosidade não servem para mim. Somente beleza não põe a mesa.
O bom é que isso é apenas uma parte da exposição. Ela guarda uma outra metada dedicada aos caras mais experimentais, que investigam os valores inatos a pintura, mas que se deixam trafegar por áreas mais perigosas, menos refinadas, as zonas que tocam o lixo visual contemporâneo, a cultura de massa e seus imblemas, o traço naive, o gesto mais expressionista.
Para mim as obras que se destacam são:
Osvaldo Salerno e as suas pinturas pop-arcaicas. O paraguaio traz uma séire de quadrinhos pequenos atulhados de cores supersaturadas e trasbordantes de desenhos a rpimeira vista horrorosos(figura formada por linhas, o caso dele pintada, ele usa o pincel como lápis). O cara se apropria do estilo de desenhar de quem não tem técnica acadêmica ou formal, o chamado "naive" para dar concretude a um universo que cita o pop, mas que emrgulha no arcaico. No inconsciente. Um belo exemplo é ma pintura que msotra uma m~e beijando um filho com a boca bem escancarada, apertando ele contra o peito e rosto. Ela parece estar comendo o filho. No quadro estão escritos vários bordões clichês sobre maternidade como "mão só tem uma""mãe tem o amor que vem de deus". Mas a figura é aterradora. E os detalhes do quadro, como bixos se devorando e uma janela com ua lua cheia faz a ponte para o que eu chamei de arcaico ou inconsciente. É como se, através do uso dests fromas grosseiras dos desenhos populares, opitor quisesse falar deste inconsciente coletivo, das forças primitivas que estão por trá da camada de civilização dos homens. As outras obras irmãs são assim também, msotram cenas de necrofilia, de animais, de vetegetação selvagem. Colocam frente a frente consiente e inconsciente. Colocam o homem civilizado num panorama de mistério e de fluxos que ele não conehce, e se envegonha geramente. Ao mesmo tempo ele dialoga com a cultura do lixo publicitário, citando até a logotipo da Cavalera em alguns quadros. Muito bizarro, muito bom.
Outro cara massa é um Argentino que, por ineficácia do site da Bienal, não podrei citar o nome. O obra do cara é um desenho de proporções gigantescas, bem realista, em uma parede branca. O desenho em si não tras nada de formalmente inovador, é apenas a reprodução abstante realista de duas cabeças de jovens hones, em relação uma a outra. Eles estão de olhos fechados e o de cima parece estar indo dar um beijo na testa do que está em baixo. Da cabeça do que está embaixo sai uma mancha escura e negra. A imagem é cheia de mist´rio, cheia de espaços para a imaginação do espectador. Eu logo associei, por causa da minha tendência mórbida usual, a um casal de namorados onde um acaba de morrer. A mancha negra eu vi como sangue, sabgua de uam cabeça acidentada. Agora não fiquei chocado. Fiquei comovido com a delicadeza da relação de ambos, a intençaõ do beijo na testa como um carinho fraternal, derradeiro.Mas não paro por aqui, ae fui ler um breve texto sobre o arista e seu método. O texto revela que o argentino busca em filmes pornô gays da internet a pedra propulsora dos seus desenhos. Ele pega um frama que considera interessante e, através da projeção do mesmo em uma parede, desenha com carvão por cima. Isso é um ato totalemnt pós moderno. Eu adoreiter lido isso. O cara, através da apropriação e do descocameno que são operados pelo seu ato artísico, abre ma imagem banal ( o frame de filme pornô) e investe ele de valor conceitual, emotivo e artístico. É como se o artista remodalasse o mundo. E vamos e venhamos, o artista bom remodela sim o mundo, desfoca, motra a reliadade sobre outras perspectivas, torna o corriqueiro estranho para quepossamos reavaliar com outros olhos o banal. O atista não reduz, ele expande.
Como não vou falar de todo que gostei por rpeguiça, acabo o artiguinho comentando a gaúcha já bastante conehcida KArin Lamprecht. Elaé umalouca mórbia total. Ela tem na bienal uma pintura-isntalação-fotografia de dar arrepios. Chma-se "caixa de socorro", algo assim. São vitrines que contém pepéis marcados por um ação artística de karin. Ela vai em lugares que se abaem bixos, cordeiros, etc, e, de posse das suas vísceras e sangue, marca o papel. A beleza ão é propriamente de quão encantadoras são as manchas de sangue e de líquidos internos de nimais no papel mas do que a obra provoca, do diálogo doloroso que ela provoca. Junto a estas impressões de orgão está uma foto em proporções quase humana, de corpo inteiro a prórpia Karin, com um vestido long manchado de sanue. A foto é preto e branco, mas sabendo dos gesto sangíneo m si, abes claramente que a manh é de sangue. E nos pés da foto está uma caixa que reproduz o tamano do corpo dela no chão. uma espécie de túmulo. Não preiso ser muito explícito, mas é intenso ver a relação que a artista fa do ato criador, um ato visceral, litaralmente falando. Seu corpo relacionado as sua pinturas de sangue sugerem que não dá para fazer arte sem botar em jogo o que existe de mais íntimo e vivo em si. Esta pintura-italação-fotograia também sugere uma apropriação da artista em relação ao seu corpo, o caráter de mortalidade do mesmo, a transitoriedade de tudo. Karin é sempre fodona.
É isso.
No próximo post comentarei a Abramovich e sua vídeo isntalação, algo que me comoveu profundamente.
PS: a figura em questão, e a obra em desenho do argentino que não sei o nome.
quinta-feira, outubro 13, 2005
Go with the Flow é clipe com muita carne para tapar o buraco do dente.
Queens of the Stone Age é a banda que tem feito eu gostar das velhas e boas guitarras distorcidas. A primeira vez que entrei em contato com a banda eu tava com um pé o mundo do grotismo, aliás eu o Marcos e o Lisandro estávamos com todos os pés que um ser humano pode ter, afundados completamente no mundo do grote. Tinhamos ido na casa do Daniel, e lá, ele começou a nos mostrar uns vídeos. E um daqueles vídeos arrombou as portinhas da minha percepção. Falo de "go with the flow". É um videoclip feito em animação, apartir de uma técnica conhecida como "rotoscopia" no qual, a partis de imagens capturados em vídeo, o cara através do computador tarsnforma ela em animação.
O enredinho é simples, eles contam um duelo entre dois carros, uma caminhonete com os caras da banda tocando, e um carrão antigo com uma gangue de caras de caveira. É um destes duelos onde os dois carros, em uma grande estrada vão indo um em direção ao outro em alta velocidade até que, para ver quem é o mais macho, um sai da estrada quase na hora de pechar de frente. Agora como eles manipulam as imagens e os códigos que aparecem neste duelo é que faz do clipe uma pequena obra-prima.
Sequência um: A banda, e o primeiro vestígio da morte-sexo.
Um carro entra a toda velocidad em uma auto-estrada, uma pick-up, nela os caras da banda tocam, uma grande lua cheia, eles aceleram, um inseto está cruzando a autoestrada, é esmagado pelas rodas do carro, aparece uma mulher dançando, e o seu dança é fundido com a imagem do braço de uma guitarra levantando, logo mais velocidade e a mulher agora é gigantesca e está deitada sobre a estrada que vai dar literalmente na sua xota (xexeca, sei lá, não to muito acustumado com estes termos técnicos heheh) e o caro dos guris entra direto ali.
Então pessoal, aqui temos umas associações interessantes. A velocidade do carro aponta para o perigo. A velocidade mata o inseto, e esta morte é associada a uma mulher que dança. O braço da guitarra levanta-se como um pau que endurece. Acho que fica clara a relação perigo-morte, com o tesão. O carro acaba indo ditero em direção a morte-mulher. Aquela velha relação frudiana que é a consciência de Thanatos (a morte) que nos impulsiona para o Eros (vida-sexo).
Segunda sequência: nesta é apresentado para o espectador os outros duelistas. São caras com máscaras de caveira em um carrão antigo. Eles também entram furiosamente na pista e a montagem começa a ser de duelo clássico. Mostra um, mostra outro e ele cada vez mais rápidos. No moneto chave do acidente frontal o diretor do clipe monta a batida dos carros com um dos membros da banda indo para aquela mulher que ja apareceu anets de biquini que está toda se arregaçando em cima de um capô de carro. Mais cena do acidente, os carros estão a centrimentos de distância, câmera lenta, fusão com a cena de sexo, as bocas, do cara da banda e da garota do biquine mais próximas, e os carros se batem, lentamente. Detalhe que no capô dos carros estão desenhos, no da banda, um símbolo que parece uma flecha, e no das caveiras, um círculo que parece um triblal com a cara de um dragão ou serpente. A flecha entra no círculo do dragão e da colisão dos carrros explode uma onda de espermatozoidezinhos que vão voando no meio de um caleidoscópio de cores em todas as direções.
Bom, não quero simplificar nem explicar nada, mas no meu ver ae se explicitam as relações que o diretor faz em termos de morte e sexo. A consquista e o sexo como um duelo e o orgasmo como uma pequena morte.
Sequencia final.
Cabe ressltar que até aqui o clipe teve uma direção de arte usando só o trio clásico de cores do nazismo e da coca-cola light: preto branco e vermelho. Depois que os carros batem, a câmera segue a flecha-símbolo da banda que sai voando em meio a uma explosaão de espermatozóides e cores do arco iris. O cenário que remete à realidade, um deserto cheio de catos se deforma e apartis de agora tudo é cor e movimento, psicodelia ser o termo. A mulher que aparece no clipe inteiro dança multiplicada um várias, cada uma de uma cor, sua língua gigante lambendo os lábios enquando a flecha viaja a mil por formas mutantes. Depois disso a flecha volta ao mundo preto vermelho e branco, parao mundo da estrada e vemos novamente o carro da banda que agora deixa um rastro de fogo e acaba indo em direção a um enorme sol que nasce no horizonte e toma a tela inteira com seu fogo e brilho.
Poisé, o contraste de cores é interessante, depois do choque a liberação dos sentidos Não existe mais limites, tudo é cor e movimento, é o reino de Eros total, os espermatozóides voam, as cores voam e se multiplicam, a garota dança loucamente. É como se este perigo, liberaçe a criação. E como se fosse necessário ao artista e ao ser humanos e arriscar para obter uma expansão da vida. Acho que esta talvez seja uma boa chave para a interpretação do clipe: o processo criativo (no caso metaforicamente msotrado através dos caminhos que a banda vai percorrer) como manipulação de forças antagônicas e complementares: morte-vida, noite-dia, duelo-sexo. O clipe termina com o carro indo em direção ao sol, e cabe lembrar que ele começa numa noite. Fechamos com a idéia de um mundo sombrio e noturno, um mundo de enfrentamento e morte, que depois de experimentado, libera a cor, o prazer, o sol, signo bastante comum da razão, do coroamento, do êxito do produto artístico-humano-sensorial que vem à tona.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Escafandro estético num mar de merda líquida

É impressionante como o fenômeno chamado de "público" é instável. Este foi o segundo fim de semana em cartaz com o esptaculo EXTINÇÃO na Sala Álvaro Moreyra. Pois bem, se 6 apresentações tivemos que cancelar uma, e enste último domngo, deveríamos cancelar outra vez já que tivemos a presença de 6 pessoas, 6 seres humanos que sairam das suas casas e foram assistir Extinção. Nós deveríamos ter cancelado já que a nossa equipe soma8 pessoas e o número de platéia não chegou nem a isso. Mas fizemos. E vou dizer o por que.]
A- Por que a gente faz EXTINÇÃO mesmo se enchendo de dívidas e tendo ódio da burrice da platéia?
Bom, para começar, apresentar um espetáculo não sinifica chega no teatro às 20h, botar as roupinhas, pintar a cara e se jogar. Não. As salas da prefeitura funcionam por "revezamento", ou seja, no mesmo dia se apresentam duas peças por lá, uma nfantil e uma adulta. Isso na verdade é ótimo pois dá mais espaço para os trabalhadores do teatro exrcerem suas funções, ao mesmo tempo, é um saco tu ter que montar e desmontar o teu cenário todos os dias. E mais saco ainda é ter que montar e desmontar um cenário numa sala que NÃO OFERECE CONDIÇÕES PARA QUE ISSO SEJA FEITO DE MANEIRA FÁCIL E RÁPIDA. Sim, a Sala Álvaro Moreyra ta abandonada. A única vara de cenário, lá atrás, é fixa na parede (ela não desce até o chão para que a gente possa preder o cenáro e depois subí-lo) e tem um tamanho ínfimo. Eu não entendo como fizeram uma barrinha de cenário que não comporta toda a largura da sala. Além do mais, ela foi "esticada": como ela é um cano de ferro, colocaram nas suas duas etremidades, varas de madeira, para ter mais comprimento, mas estas varas de madeira, por motivos obvios, vergam, deixando torto qualquer cenário que ali é posto. COMPREM POR FAVOR UM CANO DE FERRO QUE VÁ DE UM CANTO A OUTRO DA SALA POR FAVOR,, SE A PREFEITURA NÃO TEM DINHEIRO FAÇAM UMA VAQUINHA, DEVE SAI COM A COMPRA DO MATERIAL E ISNTALAÇÃO UNS 150-200 REAIS.
Iluminação: Fizemos uma temporada anterior na Álvaro. A sala em maio tinha disponível para a ilminação uns 30 pontos de luz. Agora estamos com uns 24 pontos. ou menos. E temos que dividir estes parcos refletores com o infantil. O fato é que tanto o iluminador do infantil como o nosso iluminador precisa remontar a cada apresentação TODA A LUZ. Eles tem que reorganizar os refletores, reafiná-los, e reprogramar a mesa. No nosso caso no tempo de uma hora. Já que demoramos umas duas horas para montar o cenário depois da desmonatagem do cenário da peça infantil. Um absurdo. Aliás, de onde sai a grana que estamos investindo em alguguel de mais uns pontos extras de luz? Do nosso bolso como sempre.
Infra: É fato que o espetáculos contemporâneos uam e abusam do recurso do vídeo. Hoje em dia, ter um vídeo disponível no teatro é como ter um Cd player. Vídeo, dvd e projetor. Bom, não preciso falar que, se nem os pontos de luz são repostos quando as lâmpadas queimam, como sequr querer que o complexo Renascença- Álvaro Moreyra tenha pelo menos UM PROJETOR DE VÍDEO?????? Heim heim heim? A nossa peça se utiliza de vídeo. E temos que alugá-lo por cento e cinquenta reais o fim de semana. E temso que apresentar a peça no domingo, num hoáio que afugenta as epssoas, as 21 horas, pois simplesmente não tem como montar a peça em menos tempo. E o público reclma do horário tarde já que o centro Municipal de Cultura é uma ilha isolada numa região cheia de maloqueiros, onde os assaltos gritam a todo momento. Argh.
Outro detalhe importante a salientar neste preocesso que é fazer uma unidade de apesentação do espetáculo EXTINÇÃO é que temos que pagar o bilheteiro-operador de vídeo e o iluminador. Dois profissionais essênciais para que ocorra a peça. E temos que pagar o teatro. Tendo ou não tendo público temos que pagar o teatro. Dizem que isso é para forçar os grupos a batalharem por público. HEy, mas temos que batalhar por gran para vídeo, gana para paar nossos técnicos, força do nosso trabalho numa sala que temos que IMPROVISAR TUDO, onde colocar um cenário é uma saga bastante sudorenta e tem que ser repetida TODOS OS DIAS. Acho que esta equeção deve ser repensada. Como pensar em ARTE ou TÉCNICA de representação no meio deste tumulto todo? Como achar espaço para burilar os atores antes da apresentação, durante o aquecimento, se eles estão pendurados em escadas, como usar o espaço para se concentrar se temos que refazer tod a luz. E mais, como manter a energia se depois de tudo isso, prontos e pintados, aquecidos, conectados com o frágil mundo das emoções, aparecem apenas SEIS ESPECTADORES?
Temos também responsablidade sobre isso. Deveríamos ter posto já a duas semanas a chmada na RBS. MAs agora eles cobrtam 150 pila para ter a autorização de uma produtora de vídeo. E não tmeos dinheiro. Mas vamos fazer uma vaquinha e vamos pagar. será quevai ter público? Não sei. TAmbém temos que enteder que deve ser uam aventura sair de casa num domingo às 20 horas da otie para ir ver um espetáculo chamado EXTINÇÃO (eve ser coisa depressiva não é? é MUITO DEPRESSIVO SIM!). Mas foda-se. É opção. Se eu quisesse apenas divertir as pessoas eunão teria investido 7 anos da minha vida em um aprofundamento acadêmico da minha profissão (sim fiz 7 anos de ufrgs, o que corresponde aos meus dois bacharelados, interpretação e direção). Como encontrar sanidade no meio disso para contruir teatro verdadeiro, teatro que responda as minhas necessidades e as da minha equipe, e que esteja conectado com o mundo real, e com o sistema de arte? Como?
Não existe glamour nenhum. Mas exite a crença de que isso, o teatro, é resposta sim, para um monte de coisas, antes de tudo para a gente, que faz.
Resolvemos apresentar paraas seis pessoas. E digo que foi lindo. Os atores brilharam. Foi um presente ver como cada um deles usou sua alma, encheu aquele vazio todo do brilho da sua arte. FOi lindo ver a dignidade ancestral que é, mesmo nestas condições oferecer o MELHOR que temos para o público que nem sempre é generozo. Foi lindo e emocionante. Nos conecta a nós mesmos. O prazer da apresentação luminosa foi um alívio para a aquipe magoada. No final, depois de uma corneta de ervas antigas, desmontamos o cenário rindo e girando, em coencção o os espírios ditirâmbicos. Depois fomos jantar. Só gente com muito coração para comemorar um fracasso, ou azer de um fracasso um ucesso, sucesso de hmanidade, de espírito de grupo e de espírito de artista.
Mas não estamos conformados e não vamos calar a boca. Queremos melhores condições de trabalho. Queremos que as pessoas tmbm nos vejam. Por mais sórdido que seja o público, é pra eles que a gente faz. O Thomas Bernhard falava que odiava os seres humanos, mas que não cosneguia viver sem eles. É o nosso caso. Ou o meu caso, em particular.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Isto não é um fotologue. (nem um cachimbo)
ta ae a Sissi bombando o EXTINÇÃO, com o Marcos ao fundo. Me orgulho dos meus atores. O Lisandro, a Evelyn, o Marcos, a Sissi e o Rodrigo. Atores e amigos. Artistas de teatro e artistas da arte. Me orgulho também da galera que ajuda o espetáculo, (a Lucia Panitz, o Jô Fontana, o Mateus, o Roger, o Jotapê entre outros tantos). Pessoas que acreditam que arte seja um espaço de respiração neste mar de bosta líquida e perplexidade que a gente vive. Neste mar de falta de sentido.
Pois bem caros leitores. ASSISTAM O ESPETÁCULO, OUVIRAM BEM!!!!! Ele é fruto de muito suor e de um grupo que acredita piamente que o GIRO promovido pelo TEATRO é pelo menos um exercício para UMA VIDA MENOS BOSSAL.
EXTINÇÃO: ATÉ DIA 20 de NOVEMBRO
Sex Sab e DOM, às 21h
na Sala Álvaro Moreyra
ps: a foto é do Jorge C. Bueno.
quarta-feira, outubro 05, 2005
mpalermu celebra o teatro e a vida.
MPALERMU.
Era domingo pela noite, 21 horas, fim do Porto Alegre em Cena. Fui assistei a uma peça italiana que no dia anterior, eu mesmo tendo ingresso, havia desistido por intoxicação teatral. MAs meus amigos viram e medirsseram para ver. E lá fui eu. Eu e o Rodrigo. Pois bem. Palco vazio. Num corredor de luz alguns atores, (uns sete ou oito) em fila, de frente para a platéia um ao lado do outro. Conversam sobre uma saída. um passeio que eles vão dar. Vestem-se, e por uma bobagem, a calça de um é considerada curta pelos outros, começa uma sequencia deliciosa de ações em frenezi. Não sei como explicar a linguagem da peça. Mas vou tentar. Os atores pegam cada "situação dramática" e atravéz do uso do corpo e da manipulação da energia, expandem esta ação ao seu paroxismo. Peguemos como exemplo a cena da calça. Após uma discução verbal sobre se a calça é curta ou não, todos começam a girara em torno do personagem de calças curtas,. e este tira o cinta e fica dando cintadas nos pés dos outros personagens, que pulam e giram. Ou seja, temos uma situação simples de confto, que não esqueçamos, é a base do teatro dramático, e expadem ela para uma imagem hiperbólica, corporalizando no espaço este drama que poderia ser apenas mental.
Apartir disto a tentativa de ida se torna um pretexto para várias situações que variam do cômico ao grotesco total. Eles vão levar doces para alguém. Todos tem doces na mão. Um deles começa a comer os doces desesperadamente, os enfiando na boca, até vomitar. Depos eles tem sede. COmeçar a beber em epquenos copinhos, em fila, até que a imagem se distorce e eles começam a beber desesperadamente, e após, se jogar água e dançar, pelados. Assim a peça vai indo. Sempre começando com conflitos simples que são amplificados pelo jogo corporal, contando uma história aparentemente simplezinha. Gente comum, uma família que vai tentar sair, e que se depara com desejos confitantes também abstante simples: a fome, a sede, a incapacidade de se entrar em um acordo, a diversão. No final após inúmeras andanças, ocorre uma morte, e oe spetáculo finda com os atores deformados pela perplexidade da perda, lembrando a imagem bastante conehcida do "O GRITO" de Munch.
Agora digo que á história é aparentemente simples pois na verdade a encenação na realidade é uma reflexão espetacular do fenômeno do teatro. Se pensarmos que para haver teatro é apenas necessário um espaço vazio, alguém que atravéz das suas ações conta uma história para alguém que a vê e a ouve. Assim temos a aqueção primordial do teatro. um que faz um que assiste num espaço. Além desta equeção abstante simplificada, acabo percebendo que essencialmente o teatro tem em si uma especificidade de estrutura que o aroxima assustadoramente da vida humana. cada apresentação teatral é única, como cada via humana é única, pois como a vida, ela se dá em função do tempo, nunca igual. Como a vida humana o esptáculo nasce, se desenvolve na frente dos olhos dos espctadores e por fim morre, deixando apenas as memórias e as cicatrizes desta troca que houve naqueles precisos e não repetíveis instantes. Como a vida de um homem. E em Mpallermu, segundo a minha visão, a minha conecção com o espetáculo, temos justamente no plano da narrativa esta reflexão sobre o próprio fazer teatral. Sobre o espetáculo em si, sobre o fenômeno teatral. Contando a história de uma família que nasce, se diverte, tem fome, tem sede, se diverte e briga, e morre, o esptáculo elogia a prórpia essência da linguagem dramática. Disseca sua estruturas profundas e as expões com graça e profundidade para o público. Confesso que saí do espetáculo com o peito apertado e ao mesmo tempo feliz, tendo a sensação de ter presenciado uma celebração do teatro como arte única, simples e dilascerante como é estar vivo.
Era domingo pela noite, 21 horas, fim do Porto Alegre em Cena. Fui assistei a uma peça italiana que no dia anterior, eu mesmo tendo ingresso, havia desistido por intoxicação teatral. MAs meus amigos viram e medirsseram para ver. E lá fui eu. Eu e o Rodrigo. Pois bem. Palco vazio. Num corredor de luz alguns atores, (uns sete ou oito) em fila, de frente para a platéia um ao lado do outro. Conversam sobre uma saída. um passeio que eles vão dar. Vestem-se, e por uma bobagem, a calça de um é considerada curta pelos outros, começa uma sequencia deliciosa de ações em frenezi. Não sei como explicar a linguagem da peça. Mas vou tentar. Os atores pegam cada "situação dramática" e atravéz do uso do corpo e da manipulação da energia, expandem esta ação ao seu paroxismo. Peguemos como exemplo a cena da calça. Após uma discução verbal sobre se a calça é curta ou não, todos começam a girara em torno do personagem de calças curtas,. e este tira o cinta e fica dando cintadas nos pés dos outros personagens, que pulam e giram. Ou seja, temos uma situação simples de confto, que não esqueçamos, é a base do teatro dramático, e expadem ela para uma imagem hiperbólica, corporalizando no espaço este drama que poderia ser apenas mental.
Apartir disto a tentativa de ida se torna um pretexto para várias situações que variam do cômico ao grotesco total. Eles vão levar doces para alguém. Todos tem doces na mão. Um deles começa a comer os doces desesperadamente, os enfiando na boca, até vomitar. Depos eles tem sede. COmeçar a beber em epquenos copinhos, em fila, até que a imagem se distorce e eles começam a beber desesperadamente, e após, se jogar água e dançar, pelados. Assim a peça vai indo. Sempre começando com conflitos simples que são amplificados pelo jogo corporal, contando uma história aparentemente simplezinha. Gente comum, uma família que vai tentar sair, e que se depara com desejos confitantes também abstante simples: a fome, a sede, a incapacidade de se entrar em um acordo, a diversão. No final após inúmeras andanças, ocorre uma morte, e oe spetáculo finda com os atores deformados pela perplexidade da perda, lembrando a imagem bastante conehcida do "O GRITO" de Munch.
Agora digo que á história é aparentemente simples pois na verdade a encenação na realidade é uma reflexão espetacular do fenômeno do teatro. Se pensarmos que para haver teatro é apenas necessário um espaço vazio, alguém que atravéz das suas ações conta uma história para alguém que a vê e a ouve. Assim temos a aqueção primordial do teatro. um que faz um que assiste num espaço. Além desta equeção abstante simplificada, acabo percebendo que essencialmente o teatro tem em si uma especificidade de estrutura que o aroxima assustadoramente da vida humana. cada apresentação teatral é única, como cada via humana é única, pois como a vida, ela se dá em função do tempo, nunca igual. Como a vida humana o esptáculo nasce, se desenvolve na frente dos olhos dos espctadores e por fim morre, deixando apenas as memórias e as cicatrizes desta troca que houve naqueles precisos e não repetíveis instantes. Como a vida de um homem. E em Mpallermu, segundo a minha visão, a minha conecção com o espetáculo, temos justamente no plano da narrativa esta reflexão sobre o próprio fazer teatral. Sobre o espetáculo em si, sobre o fenômeno teatral. Contando a história de uma família que nasce, se diverte, tem fome, tem sede, se diverte e briga, e morre, o esptáculo elogia a prórpia essência da linguagem dramática. Disseca sua estruturas profundas e as expões com graça e profundidade para o público. Confesso que saí do espetáculo com o peito apertado e ao mesmo tempo feliz, tendo a sensação de ter presenciado uma celebração do teatro como arte única, simples e dilascerante como é estar vivo.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Uma crítica por email
(o Rodrigo Monteiro me encontrou na saída do Walmor "Um homem Indignado, peça belíssima" e me disse: e ae, te mandei uma crítica sobre oe xtinção faz horas e tu não me falou nada... Eu disse: menino, não recebi, mande novamente. E ele mandou. e eu to postando ela aqui. Viu Rodrigo, desta vez eu li!)
"Cada vez mais eu amo aqueles amam a intensidade. É engraçado como esse amor, essa admiração, tem crescido em mim ano após ano. Talvez, deus me livre!, seja porque eu esteja ficando mais superficial... Eta vidinha...
Ontem fui assistir uma peça de teatro chamada "Extinção, a impossibilidade da morte na mente de alguém vivo". E que show de intensidade... Sabe quando você não consegue se desgrudar das cenas que vai assistindo... É como se você estivesse, ao mesmo tempo, vendo dois filmes muito interessantes em televisões diferentes e lutando arduamente para prestar a atenção nos dois. Eu me vi, várias vezes, refletindo sobre a história contada e a história que conto no dia a dia da vida que vou construindo. Eta vidinha...
Duas atrizes dominam a cena. Dominam a história. Metem-se na nossas reflexões, quase que determinando as coisas por nós. Bedelhudas! Gosto dessas que se jogam no mundo seja ele paralelo ou oficial até porque já não sei mais qual é mundo oficial e qual é o mundo caixa 2. Mas elas se jogam, energia, força, entranhas... Parto com dor mas não pra por pra fora uma vida, mas o contrário: pra ganhá-la, ficar com ela mais um pouco. Eta vidão...
Já conhecia o diretor de outro espetáculo chamado "A Serpente"! Que pessoa odiosa! Questiona, subverte os estereótipos, não retrata, nem mascara... Não copia, nem sugere... Ele impõe a totalidade, a vivência, a realeza (que vem de realidade, de beleza e também de aristocracia) da vida como ela é. Um guri de 27 anos... Baixinho... Meio gago... Magrinho... E inho o bastante pra entrar nos buraquinhos dos poros do ser humano que lhe cruza e se achar no meio, na essência, no cerne. Abusado! Taí o dinossauro que construiu... Nós... O ser humano... Em extinção... Eta vida morta!
Cada cena da vida é inteira... Estamos em extinção. É um fato... Os jornais mostram. E não me venha com esse papo de valores sociais... Me venha, se quer mesmo vir, com a repercussão dos valores vivenciais. Daqueles conceitos que nasceram da experiência... A visão de um pássaro que voa no céu. As idéias que surgem de um poema de Adélia Prado ou Florbela Espanca. Os suspiros de pôr de sol colorido e o assobio de um vento a beira mar, beira rio, beira qualquer coisa... Estamos na beira. Eta margem!
Se a vida é um rio, a morte é a margem? Por que corremos para a margem e não para o centro do rio ou do mar? Por que permitimos que as ondas nos ajudem se elas nos levam justamente para a areia... O que tem mais vida? A areia ou a água salgada?
Há pessoas que cruzam as correntes. O João Ricardo, diretor, é uma delas. A Evelyn é outra. Também a Sissi e os demais... Não os são aqueles que não trocam... Porque, sim, nessa e em outras histórias há aqueles que tem mas não trocam... Eta vida egoísta.
Coisa mais ruim ver algo em cuja cena não há troca. É bonito. É técnico. Como a peça que vi no domingo e nem vou dizer o título... A energia da vida nasce de duas pessoas. A vida está na junção. Pois um ator joga o fio e o outro segura. E assim vou descobrindo a beleza do que vivo agora... Trocando... Brigando... Aos gritos... Mas gritos ouvidos, sorrisos ouvidos, cobertor trocado, preces respondidas por um Deus ao meu lado.
"Extinção" é um ótimo espetáculo e deve ser visto. E que deve ser comentado. Tudo isso para que haja a possibilidade da vida na mente de uma sociedade cambaleante e moribunda. Uma raça que se ajoelha para beber uísque e anda de cuecas em meio ao frio cortante. Eta tudo... "
Bom espetáculo!
Rodrigo Monteiro São Leopoldo, 12 de maio de 2005
"Cada vez mais eu amo aqueles amam a intensidade. É engraçado como esse amor, essa admiração, tem crescido em mim ano após ano. Talvez, deus me livre!, seja porque eu esteja ficando mais superficial... Eta vidinha...
Ontem fui assistir uma peça de teatro chamada "Extinção, a impossibilidade da morte na mente de alguém vivo". E que show de intensidade... Sabe quando você não consegue se desgrudar das cenas que vai assistindo... É como se você estivesse, ao mesmo tempo, vendo dois filmes muito interessantes em televisões diferentes e lutando arduamente para prestar a atenção nos dois. Eu me vi, várias vezes, refletindo sobre a história contada e a história que conto no dia a dia da vida que vou construindo. Eta vidinha...
Duas atrizes dominam a cena. Dominam a história. Metem-se na nossas reflexões, quase que determinando as coisas por nós. Bedelhudas! Gosto dessas que se jogam no mundo seja ele paralelo ou oficial até porque já não sei mais qual é mundo oficial e qual é o mundo caixa 2. Mas elas se jogam, energia, força, entranhas... Parto com dor mas não pra por pra fora uma vida, mas o contrário: pra ganhá-la, ficar com ela mais um pouco. Eta vidão...
Já conhecia o diretor de outro espetáculo chamado "A Serpente"! Que pessoa odiosa! Questiona, subverte os estereótipos, não retrata, nem mascara... Não copia, nem sugere... Ele impõe a totalidade, a vivência, a realeza (que vem de realidade, de beleza e também de aristocracia) da vida como ela é. Um guri de 27 anos... Baixinho... Meio gago... Magrinho... E inho o bastante pra entrar nos buraquinhos dos poros do ser humano que lhe cruza e se achar no meio, na essência, no cerne. Abusado! Taí o dinossauro que construiu... Nós... O ser humano... Em extinção... Eta vida morta!
Cada cena da vida é inteira... Estamos em extinção. É um fato... Os jornais mostram. E não me venha com esse papo de valores sociais... Me venha, se quer mesmo vir, com a repercussão dos valores vivenciais. Daqueles conceitos que nasceram da experiência... A visão de um pássaro que voa no céu. As idéias que surgem de um poema de Adélia Prado ou Florbela Espanca. Os suspiros de pôr de sol colorido e o assobio de um vento a beira mar, beira rio, beira qualquer coisa... Estamos na beira. Eta margem!
Se a vida é um rio, a morte é a margem? Por que corremos para a margem e não para o centro do rio ou do mar? Por que permitimos que as ondas nos ajudem se elas nos levam justamente para a areia... O que tem mais vida? A areia ou a água salgada?
Há pessoas que cruzam as correntes. O João Ricardo, diretor, é uma delas. A Evelyn é outra. Também a Sissi e os demais... Não os são aqueles que não trocam... Porque, sim, nessa e em outras histórias há aqueles que tem mas não trocam... Eta vida egoísta.
Coisa mais ruim ver algo em cuja cena não há troca. É bonito. É técnico. Como a peça que vi no domingo e nem vou dizer o título... A energia da vida nasce de duas pessoas. A vida está na junção. Pois um ator joga o fio e o outro segura. E assim vou descobrindo a beleza do que vivo agora... Trocando... Brigando... Aos gritos... Mas gritos ouvidos, sorrisos ouvidos, cobertor trocado, preces respondidas por um Deus ao meu lado.
"Extinção" é um ótimo espetáculo e deve ser visto. E que deve ser comentado. Tudo isso para que haja a possibilidade da vida na mente de uma sociedade cambaleante e moribunda. Uma raça que se ajoelha para beber uísque e anda de cuecas em meio ao frio cortante. Eta tudo... "
Bom espetáculo!
Rodrigo Monteiro São Leopoldo, 12 de maio de 2005
quarta-feira, setembro 21, 2005
sábado, setembro 17, 2005
Endstion America é um alívio!
Finalmente, depois de uma semana de POA em CENA, vi algo que realmente me enlevou meu espírito, encheu meus os olhos e me pôs para pensar. Uma peça ótima. Não tenho medo algum de começar de maneira hiperimpressionista: gostei pra caralho. adorei. Eu to falando de "Endstation America" peça do Volksbhune, teatro estatal alemão, dirigida por Frank Castorf.
O espetáculo se insere na nova "onda" do teatro contemporâneo em reler textos clásicos. A peça se apóia dramaturgicamente em cima de "Um bonde Chamado Desejo" do Tenesse Williams. Agora, Tenesse está longe de ser um clássico, consideramos clássicos apenas os gregos, certo? Mas tá, vamos dar uma flexibilizada no termo, é clássico "um bonde" por ser um grande texto contemporâneo, apenas isso. Virou filme com MAron Brando, estas coisas que agregam valor a uma obra. Um bonde também é um retrato de uma américa do norte que se encontra desenraizada, anaxada a uma cultura de escravista e quase feudal que o novo capitalismo suplantou. Mas enfim.
Vou falar um pouco da encenação. primeiramente temos um espaço bastante limpo, um apartamento com cozinha, um banheiro que stá isolado dor esto da área de interpretação mas que tem seu iterior visível através de uma televisão que continuamente msotra o que está acontecendo dentro dele. E uma cama de casal num canto. O cenário lembra um pouco o clima estranho que a direção de arte dos filmes do David Linch tem. Ele é em parte forrado com madeira de pinho bem aparente, vulgar, e tem ao lado da porta central um daqueles dadrinhos de crianças tristes (aqueles que se tu olhar por um espelho a meia noite tu ve um demônio), puro beboche. tdo este cenarião é suntentando por motores provavelmente hidráulicos, e em momentos chave da peça o cenário simpelsmente se ergue totalmente, virando tudo de cabeça pro ar. Literalmente.
Neste espaço super despojado os atores contam da sua maneira muito prórpia a história do "Um Bonde". O diretor parte do princípio que todo mundo conehce a história. A irmã mais velha, rica-falida vai morar no aprtamentinho d airmã suburbana e acaba sueduzindo-sendo seduzida pelo marido da irmã, um bronco total. No final ele fica louca, bêbada e se descobre que o apssado dela esconde diabrurars tais como se prostituir para um batalhão inteiro de milicos e seduzir seus aluninhos do colégio. Ela si de cena carregada por médicos e diz a famaso frase "eu sempre dependi da bondade alheia". ams isso não interessa para o diretor. O que interessa o CArstoff? om, acho que interessam várias coisas, a peça abrange muitos níves de leitura. eu posso começar dizendo que vi uma crítca clara sobre o modo de vida nortamericano. um país de imigrantes (lembrem-se que o núcleo de personagens da peça do tenesse é de imigrantes, e descendentes de imigrantes, poloneses, franceses) que perdem sua cultura original e são abarcados pela cultura de massa e de consumo que rege os EUA. para exemplificar isso comento um momento da peça. Depois de Blanche falar para a Stella que seu marido, o Stanley Kowalski, é um macaco, um símio descontrolado, um bruto, um animal. Após isso a porta se abre e entra um ator fantasiado de gorila em cena, segurando um caixa de chicletes gigante. É o Stanley, eles agem como se nada tivesse acontecendod e errado. O efeito é MUITO cômico. E Stanley fantasiado de macaco assumo o discurso absurdo da situação e conta que estava fazendo a gravaçãod e um comercial de chiclete, mas que "a girafa" ficava sempre na frente dele, e que ai nãio ficou legal" Ai ele começa a cantar uma música tradicional polonesa, e no meio dela, troca alguns versos para coisas como "compre o chilcé tal... é refrecascante, faz bem pro hálito, etc etc etc". Acho que fica clara a brincadeira do diretor com um: o texto da peça. Do discurso metafórico de Blanche (a animalidade de Stanley) para sua concretização ao pé da letra em cena. (ele vestido de macaco). A canção tradiconal que ele canta sendo transformada em uma jingle de venda de chicletes, o que mostra bem o processo de "aculturaçao" que estes personagens estão sofrendo. Perdendo raízes.
O espetáculo se insere na nova "onda" do teatro contemporâneo em reler textos clásicos. A peça se apóia dramaturgicamente em cima de "Um bonde Chamado Desejo" do Tenesse Williams. Agora, Tenesse está longe de ser um clássico, consideramos clássicos apenas os gregos, certo? Mas tá, vamos dar uma flexibilizada no termo, é clássico "um bonde" por ser um grande texto contemporâneo, apenas isso. Virou filme com MAron Brando, estas coisas que agregam valor a uma obra. Um bonde também é um retrato de uma américa do norte que se encontra desenraizada, anaxada a uma cultura de escravista e quase feudal que o novo capitalismo suplantou. Mas enfim.
Vou falar um pouco da encenação. primeiramente temos um espaço bastante limpo, um apartamento com cozinha, um banheiro que stá isolado dor esto da área de interpretação mas que tem seu iterior visível através de uma televisão que continuamente msotra o que está acontecendo dentro dele. E uma cama de casal num canto. O cenário lembra um pouco o clima estranho que a direção de arte dos filmes do David Linch tem. Ele é em parte forrado com madeira de pinho bem aparente, vulgar, e tem ao lado da porta central um daqueles dadrinhos de crianças tristes (aqueles que se tu olhar por um espelho a meia noite tu ve um demônio), puro beboche. tdo este cenarião é suntentando por motores provavelmente hidráulicos, e em momentos chave da peça o cenário simpelsmente se ergue totalmente, virando tudo de cabeça pro ar. Literalmente.
Neste espaço super despojado os atores contam da sua maneira muito prórpia a história do "Um Bonde". O diretor parte do princípio que todo mundo conehce a história. A irmã mais velha, rica-falida vai morar no aprtamentinho d airmã suburbana e acaba sueduzindo-sendo seduzida pelo marido da irmã, um bronco total. No final ele fica louca, bêbada e se descobre que o apssado dela esconde diabrurars tais como se prostituir para um batalhão inteiro de milicos e seduzir seus aluninhos do colégio. Ela si de cena carregada por médicos e diz a famaso frase "eu sempre dependi da bondade alheia". ams isso não interessa para o diretor. O que interessa o CArstoff? om, acho que interessam várias coisas, a peça abrange muitos níves de leitura. eu posso começar dizendo que vi uma crítca clara sobre o modo de vida nortamericano. um país de imigrantes (lembrem-se que o núcleo de personagens da peça do tenesse é de imigrantes, e descendentes de imigrantes, poloneses, franceses) que perdem sua cultura original e são abarcados pela cultura de massa e de consumo que rege os EUA. para exemplificar isso comento um momento da peça. Depois de Blanche falar para a Stella que seu marido, o Stanley Kowalski, é um macaco, um símio descontrolado, um bruto, um animal. Após isso a porta se abre e entra um ator fantasiado de gorila em cena, segurando um caixa de chicletes gigante. É o Stanley, eles agem como se nada tivesse acontecendod e errado. O efeito é MUITO cômico. E Stanley fantasiado de macaco assumo o discurso absurdo da situação e conta que estava fazendo a gravaçãod e um comercial de chiclete, mas que "a girafa" ficava sempre na frente dele, e que ai nãio ficou legal" Ai ele começa a cantar uma música tradicional polonesa, e no meio dela, troca alguns versos para coisas como "compre o chilcé tal... é refrecascante, faz bem pro hálito, etc etc etc". Acho que fica clara a brincadeira do diretor com um: o texto da peça. Do discurso metafórico de Blanche (a animalidade de Stanley) para sua concretização ao pé da letra em cena. (ele vestido de macaco). A canção tradiconal que ele canta sendo transformada em uma jingle de venda de chicletes, o que mostra bem o processo de "aculturaçao" que estes personagens estão sofrendo. Perdendo raízes.
Outro plano possível de leitura e que se agrega bem à crítca aos EUA é a descontrução de linguagem que oa atores e o diretor fazem do Realismo. PAra tanto a encenação pesca os clichês mais infames relacionados ao realismo e a estética do Tenesse Williams, pesca estes clichês e os retrabalha através de expedientes como repetição ou hipérbole, fazendo com que els pecam o sentido, e sejam sntrumento de reflexão sobre lignuagem e sobre o texto. Exemplifico: Stela sofre violência de Stanley, ele a pega como uma boneca e num ritos exual grosseiros a abusa. Ela, jogada no chão, se arrasta pelas paredes. Issoé m clichê de situação realista, se arrastar no hção depois de uam cena de violência. Só que todos os outros personagens começar a se arrastar pelas paredes junto a ela. Ouseja, pela repeiçãod a marca o diretor esvazia o sentido mais "dramático" que ela poderia ter fazendo com que fique cômica, dandoe spaço parao públicor refletir sobre a liguagem que o relaismo se utiliza. Ou que o teatro aprendeu a usar quando lidando com estes textos. E este expedianete o diretor usa em vários momentos. Sempre criando humor e esvaziando a carga dramática.
Um outro plano a ser refletido é a multimídia queé usada com uma elegância ímpar. A tv semrpe transitindo as cenas que ocorrem dentro do banheiro. É ótimo, os persionagens aceitam que a televisão seja umc anal de comunicação e contracenam através da tela. Um olhando e outros no banehiro. A imagem do banheiro visto de dentro pela câmera lembra muito as tomadas do infame programa de televisão Big Brother. Depois mais pro final da peça eles retiram a câmera de dentro do banehiro. Stella está quese ganhando bebê, Stanley afila dando seus textos, filma a Blanche no momento onde ela recebe a passagem de ônibus para sair fora de uma vez portodoas, e no meio do discuro raivoso de Blanche, Stanley a dirige, "Calma, você está fora de quadro". Interessante isso. Dá margem para pesarmos sobre o papel da imagem hoje, sua relação com a vid real e com a ficção. Ja não se vive mais, se vive para ser msotrado, os 15 minutos de fama propagados por Warhol são agora uam realidade.
E por falar em Warhol, o diretor se apoia claramente sorbe as idéias do ícone POP. Em umd ado momento da peça os personagens debatem sobre a cantora NICO, ex amante do Lou Reed e produto de Warhol. Nãosód ebatem como o warhol aparece na televisão, em um documentário sobre a POP art. A história de Nico, que é contada na peça tmbm é um veio de leitura muito interessante e fala sobre aculturação. Os personagens contam que Nico era uma cantora alemã que foi pros States e lá se enamorou do Lou reed, e ele a destruiu. A velha história do imigrante. Como Stanley é. Etc.
Mas o apelo a POP ART não para ai. E proprio da pop usar subprodutos da cultura de consumo para jstamente atacar esta mesma cultura. Lembremos da sopas campbell de Warhol. Na peça temos o chiclé gigante que lembra as muito a instalação de caixas de sabão do Warhol, BRILLO. Na cena do poker os eprsonagens imitam uma boyband e cantam Britney spears em cora. Hilário. E pós-moderno. e POP. Além disso o diretor cita filmes como Psicose. Na cena onde Mitch flerta com a Blanche entra derrepente em cena uma cadeira de rodas com um esqueleto vestido de velha. Blanche está no banheiro e Miche começa a ter um diálogo consigo emsmoafzendo o papel de si e da mãe morta. Ele pega uma faca gigante e va parao banheiro. Depois da cena aida ironiza a própria encenação: "com todos estes probelmas de família ainda enchemos a peça de citações". Ai como é bom o deboche inteligente.
Acabo estes pequenos e confusos escritos falando que o trabalho dos atores é fantástico. São verdadeiro clowns, tiram sarro de tudo, puxam o tapete uns dos outros, e exploram seus corpos e vozes de maneira muito linda. Estão se divertindo em cena e compartilhandoe seta diversão a todo tempo com o público. Vndo a peça se tem a certeza que ela não fo construída pro um diretor autoritário e que chegou com idéias pr[é-concebidas. Vê-se pela fartura das situações ciorporais queali teve muito laboratório, muita descoberta. Vê-se que a peça é frutode atores em pagos e bem alimentados, gente inteligente e que ganha bem para se desenvolvber como profissional e artista. Coisa que só ocorre mesmo nos países "desenvolvidos" (que trash esta palavra, mas eles ganahr grana para trablahr e nós não)). Nós aqui da Terra Brasilis temos que batalhar a grana em mil fontes ao mesmo tempo, produzir com o mínimo necessário e não podemos nos dedicar com tanto furor e tempo à contrução dos nossos espetáculos. raramente temos tempo de "pesquisar linguagem" Ninguém paga ensaio, inguém pagapesquisa. É uma pena. Mas tmbm é ume estímulo a bucarmos formas cada vez mais eficases de patrocínio. Formas que possibilitem pensar o teatro não apenas como contrução de espetáculos, mas de espaço para investigação de lignuagem. temos que encontar espaço para que aqui, mesmo sem apoio estatal intenso, possamos contruir um teatro vivo e em pleno diálogo com o mundo e com a contemporaneiadade em termos de arte.
quinta-feira, setembro 15, 2005
Pau no Eduardo II (que trocadalho do carilho, heim?)
O Eduardo 2º foi escrito pelo MArlowe, autor inglês contemporâneo do Shakespeare, mas que, segundo consta, tinha um pé no bafão fortíssimo, vivia bebendo e devendo grana, brigando em tabernas nojentas e acabou sua rápida e fulminante vida com uma facada no olho. Dizem por aí que ele morreu por que devia m dinheiro, mas tmbm se especula que ele foi vítima de um golpe meio político, já que era persona non grata, acusado de ser gay, ateu e estas coisas que incomodam quem acha que é "normal". Poisé, imaginem o texto do cara, simplesmente é a história (baseada em fatos reias, sim aconteceu, shakespeare e esta galera adoravam escrever dramas apartir da memória histórica) de um rei inglês que depois de uma certa idade, já casado e com poder consolidado, rasga a seda e assume sua paixão por um "filho de um açougueiro" o jovem Gaveston. Assume para todo mundo. Ai as coisas vem abaixo, a corte se sente humilhada, pois além de ele estar com um macho ainda não sabe lutar bem na guerra que ta rolando. A rainha perde o rebolado e se junta com um Conde, o Mortimer, e juntos armam, apoiados pelo clero, a morte do amante de Eduardo. Matam e depois prendem o Rei e tentam uma "caçassão" voluntária. Mas o Eduardo não arreda o pé e não cede a coroa. Dai como era de se esperar, matam o sodomita. Na peça matam enforcado, na realidade "Although it was later rumoured that he had been killed by the insertion of a piece of copper into his anus (later a red-hot iron rod, as in the supposed murder of Edmund Ironside), the news of his death was in fact falsified, and the ex-king transferred to Corfe Castle in Dorset, and still later to Ireland, where he remained in custody until Mortimer's fall in 1330. He probably died overseas in 1341. " Ou seja, dizem que morreu com um ferro em brasa metido no cu. Para quem não sabe vale relembrar que:
do Lat. sodomitas. 2 gén., pessoa que pratica a sodomia.
de Sodoma, top.s. f., acto sexual que envolve relações anais, entre um homem e uma mulher ou entre homossexuais masculinos.
fonte http://www.priberam.pt
Um pouco de cultura não é? Mas voltando ao sodomita, digo, ao rei Eduardo II. Comecei a falar dele e do autor para falar sorbe a peça que vi no POA em CENA. Sendo sincero, teatrão é elogio frente ao que vi nos palcos do teatro Renascença.
A direção do espanhol Etelvino VAzquez é primária. Em um cenário que poderia ser interessante, uma área quadrada no meio de cena, demarcada com um carpete vermelho, e circundada de 4 pedestais que lembram velas de um navio. E no fundo, no lugar da rotunda, cilindros de madeira que fazem quase o papel de uma cerca, ou grade. Só isso. E um obelisco de madeira que fica meio escondido e meio aparecendo na direita alta do palco. Acessório que não entendi se estava dentro ou fora de cena. Neste cenário, com a ajuda ainda de dois bancos que jamais saem do lugar, o VAzquez conta a história do MArlowe de maneira acadêmica no pior sentido da palavra. Sua marcações resumem-se a entradas e saídas de cena. Não existe preocupação com o gestual, quando exite diálogo um personagem fica em frente ao outro, ou sobre um um dos bancos formando uma "imagem" estática da cena, que só se desmancha com a saída de um dos personagens. Sem inventividade alguma.
Os atores davam o texto de forma gradiloquente, falsamente emocionada, over, esquecendo-se do lugar comum que diz "o ator não precisa necessariamente se emocionar, tem é que fazer com que o público se emocione". Mas como vou me emocionar, como público, se vejo os atores apresentando seus personagens de forma caricatural? Risadas de diafraga, como lembrou, a Lu Kunst, choro técnico, voz modulada artificialmente, tensões extras no corpo dos atores (a rainha além de ter uma chuquinha trash no cabelo, levanta os ombros para dar o texto, aliado a um vestido vermelhão de veludo com um detalhe de ombros tomara-que-caia com um tecido que lembrava o efeito de uma meia arrastão: uma figura dantesca), artificialidade, falta de vida, falta de entendimento das dimensões expressivas do corpo e do espaço. Como posso expressar minhas sensações vendo o espetáculo em palavras?
Outra "cereja no bolo" foi o rei Eduardo se "desmunhecando" no começo da peça. Como assim? Quer dizer que para msotrar um gaypara a platéia o diretor tem que usar de recursos que beiram a linha de programas de humor baixos como os fartamente apresentados pela televisão?Chato de ver. Depois de uns 20 minutos de peça e já estava sendo contaminado pelo espírito do sono. Morpheus soprava seu pozinhos nos meus olhos enquando os atores DECLAMAVAM o texto de Marlowe. Não dormi por esforço tremendo. O que era para ser uma história envolvente e super atual, se transformou num amontoado de clichês que beirou o insuportável.
Para arrematar, o cenário não funcionou em uma hora que os personagens erguiam um cortina de tule preto no fundo do teatro que, deus, não sei para que servia. Então a cortina ficou pendurada meia boca depois de o cenário ter quase despencado. E atravancando os atores que tinham a marca de passar por trás dela e volta ao meio da cena. Feio. Muito feio.E como a sensação de cansasso foi se alastrando e os bocejos na platéia amentando conforme a peça se estendia nos seus mais de uma hora e meia de duração, comecei a ficar atendo nos descuidos da produção, figurinos caretésimos, de mau gosto, com uma abordagem caricaturesca também, linahs grossas tecidos grossos, lembrando teatro fetiches de teatro infantil. Deixaram tambpem a porta do camarim aberta e com a luz ligada que vazava em cena e dava para ver os atores saindo e entrando. Black-outs desnecessários e frequentes, etc etc etc...Bom, poderia ficar mais horas e horas desfiando um rosário interminável que coisas que me incomodaram na peça.
Mas o que mais incomoda é tirarem toda a dimensão crítica de um texto tão cheio de qualidades, um texto que fala de um mundo hostil para com as diferenças (sociais, afetivas, etnicas, religiosas), o montando de forma tão convencional... ou pior, descuidada. Marlowe, com sua fúria de enfant-terrible, se visse a esta montagem, ia jogar frutas e verduras podres no palco, como faziam os espectadores da sua época.
Assinar:
Postagens (Atom)
