domingo, agosto 21, 2005

Sônia revive


To podre de depressivo.
Chorando, fazendo fiasco.
Apaixonado.
Locão.
Ai acordei querendo cortar meus pulsos com uma folha de ofício. Liguei o mediaplayer e ouvi "festa cigana" da sônia rocha. foi como tomar pílulas de vida. ela canta:
"venha comigo para a festa, venha comigo festejar
não sabe o por que da festa?
vem aqui que eu vou te contar
festejamos a estação da vida
venha comigo PRIMAVERARRRR (sim, é isso mesmo, primaverar)
vou cobrir vc de flores
o teu mel quero provar
se chegar perto de mim
esta festa vai se transforamar num IMENSO JARDIM
vamos festejar a vida enfim"


MUUUUUSSSAAAAAAAAAAAA
perfeita
poeta
POETISA
só a Sônia Rocha para me fazer reviver

quarta-feira, agosto 17, 2005

Festival de Cinema de Gramado

Gramado é uam cidade cenográfica. E nada melhor que realizar um festival de cinema em uma cidade que não existe, que por trás das suas paredes estão as vigas de madeira que seguram apenas imagens sem nenhum conteúdo. Apenas fachada. Apenas o que gente muito grossa acho que seria chique e descolado. Parece um grande acessória da BArbie.
Mas tudo bem, minha família que é pretendente à burguesia tem uma casa aqui, e eu, num surto de vontade de ter uns minutos de delírio farsesco e pseudo glamouroso na minha vida me toquei pra cá.
Tá chovendo e vim de bus. Mas tudo bem. Cozinho sozinho um arroz com galinha bebendo um vinho que ataquei da adega dos meus pais.
Gramado me lembra muito aquela califórnia (será?) que é mostrada em SIDEWAYS, um filme deplorável, classe média, sem sabor nem cor, ao contrário do vinho, um nojo.
Mas to legal. To triiiromântico. Cozinhando e ouvindo uma rádio maravilhosa que só toca cafonices como Cauby, Roberto Carlos, Sinatra, ai que delícia. A Rádio CLube CAnela (nem gramado é capaz de uma rádio destas)
Na real to in love.
Mas tudo ainda é muito misterioso.
Hoje ainda irei a alguma festa, cheia de carinhas ávidas por um espaço. Como eu.
Mas eu espero ter força o suficiente para construir meu próprio espaço no muque.
era isso.

Lista das mais ouvidas atualmente:


- Four Woman, Nina Simone
(linda linda, libelo, emocionante)
- Little Kids, Kings of Convinience
(ta no meu nick do msn: "asking me all kinds of trivial questions, pretending a everiday life we dont have)
- Quick an the Pointless, Queens of the Stone Age
(tocará no meu novo projeto)
- The Dripping Dream, Sonic Youth
- Wah can i do? - Antony and the Johnsons
(quem me mostrou este cantor foi o Zé Adão, fiquei apaixonado, é tristíssimo, gay, dark, profundo, vozão pianos, letras de rasgar os pulsos)
- We need a War - Fisherspooner
(ai, o popismo)
- Ana, Allison e Velloria, Pixies
(sou indie)
- Non dis non - Vive la Fetè
(olha o popismo novamente)

(Só musiquinha triste, melancólica ou agressiva. Ou triste melancólica e agressiva)

IN THE POOL


In the pool. Ele percorre ruas de fim de tarde, rapidamente. E alguém que ele não se vê o rosto, não vê nada.
- custa 14 pila e fica na zona norte, tem michês maravilhosos lá.
Ele responde à sombra:
- tudo bem, to louco pra ir na real, mas quanto aos michês, vou de masoquista, michês são tudo o que eu queria, em termos de beleza, e de corpo, mas são apenas objetos compráveis, e não tenho dinheiro. Logo será um sacrifício ficar por lá.
Eles andam rápido, apesar de ser fim de tarde, os trabalhadores já saíram das fábricas e o bairro está deserto, a não ser por um ou outro cão vadio que fuça nos sacos negros de lixo.
Sobem as escadas de um edificiozinho que parece uma verruga de concreto rosa desbotada no meio de um bairro unicamente feito de fábricas horizontais.
O lugar é ume enorme flat, escuro, decorado naquele padrão gay decadente de sempre. PEga a comanda das mãos de um homem muito velho de peruca loira e lábios carmim já bastante sulcados. Na primeira olhada não percebe nada de interessante por ali. Só homens vestidos de mulher. Melhor seria velhos vestidos de velhas. E um ou outro garoto de toalha amarrada na cintura.
O amigo agora se torna mais nítido. Ele não entende por que o conehcimento e o reconehimento são tão difusos. A ex sombra e agora amigo muito magro, o convida para ir para a piscininha de água quente, tomar banho, jogar conversa fora. Eles se despem. Entram na psicina. Vê o pau do amigo duro dentro dágua.
Um outro garoto aparece. Na verdade tmbm um cara muito magro e loiro, cabelos cacheados e compridos, entra na água. Ele repara que o loiro está com uma feridinha rubra na pálpebra. repara também que o seu amigo se masturba na banheira, está com o pau muito duro, e nele, também nota a mesma ferida. o amigo diz:
já não aguento mais, dói muito, dói extremamente esta ferida de merda.
A água é muito quente. Os vapores sobem e entram nas narinas dilatadas. Água e calor. Ele pensa:
- pareço um pãozinho dentro do forno.
E fica nisso.
Até recobrar a consciência.
Está sozinho dentro da piscina.
Os outros se foram.
Ele toca o prório cu, está dilatado tmbm.
Sai rapidamente dali e vai colocar sua roupa. Tem tantos tênis ali, mas nenhum é o seu.
-onde foi parar meus tênis????
Uma velha tarvestí aproxima um tênis beige.
-Não é este, ele fala.
Ela começa a tirar muitos tênis de um armário.
Ai meu deus que horas são?
Ela fala que é madrugada. Peruca loira e lábios carmim fissurados.
Tenho que voltar para a casa e não encontro meus tênis.
Ela tira mais e mais pares desencontrados de tênis. do armário.
E do meio daquela bagunça ele os encontra, e os calça, e sai rapidamente pela rua. Vazia.
Uns cães que andavam por ali vão acompanhando ele para a casa. Ele pensa:
- eu deveria me chamar Agosto.

terça-feira, agosto 16, 2005

Impossível comer um só


GROTE:
Grotesco, grotesco é aquele que rompe com o que o senso comum considera "anormal". Os freaks são grotescos? Estranho, grotescto, grote.
Grote tmbm é a sensação de perplexidade frente a realidade do homem enquanto carne-temporal. Grote é energia que vem desta perplexidade frente à alma feita de carne. Alma de ossos, sangue, fome, merda, sonhos, medos, e sobretudo perplexidade. Estar vivo é uma ironia importantíssima. A chance da natureza existir por que está sendo pensada. E a consciência da própria finitude. A maior da bençãos carregada com a maior das maldições.
Então, falemos de arte e vida. De teatro, de política, de filmes e de sensações. (tenho vergonha de falar de sentimentos).
citando um autor que jamais li, sendo grotesquíssimo ao afzer isso, cito de recorta e cola:
" a expressão mista de surpresa e de angústia diante da desagregação do mundo própria da modernidade, um mundo que é o nosso mundo sendo, ao mesmo tempo, alheio a nós."
bem próprio, não?
KAYSER, Wolfgang. O grotesco, São Paulo, Perspectiva, 1986